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Artigo
23/06/2008

Educação e Reforma do Homem

Ronaldo Gomes

A violência tem cada vez mais crescido por toda a humanidade, sem precedentes, primando por uma escalada alucinante de extermínio, sem dor e piedade. Homens frios, egoístas, ambiciosos etc.

Estes não se deixam enganar quando estão no poder, a educação fica engavetada, assim, usam da artimanha de suas convicções ideológicas para impulsionarem a educação militar como meio único de sobrevivência, dominação, terror.

Outros déspotas usurpam, fazendo da educação um meio tecnicista para proverem-se dos recursos que a mão de obra operária possibilita para seus ganhos faraônicos e escravistas, tudo isso de forma camuflada, levando-nos ao novo escravismo do século 21.

Nós educadores, pais e professores, devemos, apesar de toda a adversidade, lutarmos contra a morosidade e a deturpação que se tem feito com o verdadeiro papel da educação, ou seja: instruir e moralizar.

Kant admitia que "a educação é o maior e mais árduo problema que pode ser proposto aos homens".

Ainda Kant enfatiza: "Tornar-se melhor, educar-se e, se se é mau, produzir em si a moralidade: eis o dever do homem".

Toda a sociedade é responsável por suas ações sociais, políticas, econômicas, culturais e educacionais. Muito se discute em torno da melhoria da educação, porém, as políticas têm sido discutidas, como sempre, em âmbito administrativo, aos interesses políticos de cada época.

Todos os envolvidos devem participar desta elaboração pedagógica, visando aspectos reais de cada lugar, suas realidades, sua história, onde a família, escola, comunidade, possam efetivamente ter acesso participando das discussões e elaboração de projetos que visem a cidadania, a moral, a instrução, na construção do homem pelo homem e sua qualificação como cidadão e seu papel social, político e cultural na sociedade em que vive.

Afirma Kant: "Deve-se orientar o jovem à humanidade no trato com os outros, aos sentimentos cosmopolitas. Em nossa alma há qualquer coisa que chamamos de interesse: 1. por nós próprios; 2. por aqueles que conosco cresceram; e, por fim, 3. pelo bem universal. É preciso fazer que os jovens conheçam este interesse e possam por ele se animar".

Porém, para que tudo aconteça, nós educadores precisamos estar capacitados e conscientes de nossa obrigação como educadores, dando criticidade ao nosso educando, sendo o facilitador do processo ensino-aprendizagem, de forma a desenvolver nesta troca constante e permanente um com o outro, os aspectos morais, cognitivos, os valores humanos, o caráter, na promoção social e cidadã.

Basta! Precisamos arregaçar as mangas, sair do casulo de nossa inoperância e descaso pessoal, enfrentarmos a nós mesmos, valorizando-nos como seres humanos, como professores, educadores, amparados pela lei da educação - LDB: TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional, art. 2 º e art. 3º- com ações morais, éticas, pela liberdade, criticidade, prudência, virtude, sentimento, amor, autonomia, justiça social etc. Não há vencidos, vencedores ou culpados. Façamos nosso dever de casa.

Ainda há tempo de resgatarmos nossas origens como seres humanos, na reconstrução educacional de promoção do homem pelo homem.

Educar é educar-se, estes são os desafios do século 21, onde nós educadores necessitamos confiar, acreditar, extirpando de nós as frustrações, os medos, receios, fortalecendo nossa auto-estima, lutarmos contra os preconceitos, as alienações que nossas crianças e jovens se encontram, libertando-os da prisão do pessimismo e das falsas ideologias autárquicas.

Educar é prevenir, é libertar. Educar é instruir, é amar. Educar é reconstruir os valores humanos, é oportunizar, libertando o individuo do egoísmo e preconceitos. Educar é primar pela promoção do próximo e sua autonomia.

Assim, não basta instruir, se faz urgente e necessário moralizar o ser humano num processo continuo no ensino-aprendizagem, na família, escola, em toda sociedade.

Eduquemo-nos!

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