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Artigo
09/06/2008

Nossas Armas São os Livros, a Educação Moral

Ronaldo Gomes

O egoísmo nos tem feito reféns da indiferença, orgulho, ambições, materialismo, desamor, falsidades etc. Estamos perdendo mais que nossa referência humana, valores, ética e moral, simplesmente tornamo-nos máquinas selvagens, que matam, ferem, escravizam o semelhante, especulando, monopolizando, fomentando a desgraça alheia, para a miséria e degradação humana.

Temos feito na educação uma verdadeira devassa ao desviar seus fundamentos básicos: moral, criticidade, aprender e reaprender, amor, sentimento, fraternidade, cooperação, transformar etc.

Os professores passam também a ser vítimas de um contexto em que o sistema os obrigam a desempenhar um papel apenas de formar e preparar seres humanos inconseqüentes, e inconscientes de suas responsabilidades, frios, fazendo-os alienados para a vida, o mundo e para si mesmos.

A escola deve ser o seguimento do lar, enfatizando aspectos da educação moralizante, porém, o que tem feito é desviar deste caminho, afinal, o sistema obriga a escola a ser o veículo, o intermediário dos seus interesses.

Estamos todos nós envolvidos num turbilhão de mentiras que criamos, falseando a educação e o seu papel transformador de almas.

Instruir o ser humano é fundamental, mas não basta.

A educação é mais que instrução, é antes de tudo dar criticidade, formar cidadão ético, moralizado, afetivo, transformador e humano.

Temos de resgatar nossos maiores valores: a vida, a educação, o amor e o ser humano. E este resgate só será possível se a família, escola e toda sociedade, se empenhar na dedicação de nossas crianças, adolescentes, jovens e a terceira idade. É uma construção do dia a dia, na troca mútua e respeito um com o outro, de forma a reconstruir os valores humanos.

A educação que liberta, orienta, reconstrói, moraliza, transforma, desenvolve o cognitivo, o afetivo, a criticidade, forma cidadãos.

Esta responsabilidade é de toda sociedade. No Brasil, historicamente podemos observar que a autarquia não aceita que a educação moral seja aplicada, isso porque vai de encontro aos interesses de poder, ferindo o principio básico de manter o povo a mercê de seus caprichos e sob suas rédeas. Deixam apenas que instruam, até certo ponto, para fins tecnicistas, de mão de obra qualificada, porém, frios, calculistas, robotizados. Instruir o ser humano não é a única preferência, se faz necessário e urgente juntarmos esforços em prol da sociedade mais justa, que invista em seu povo, com educação moral e instrução.

É uma quebra de paradigmas, que no Brasil vêm ao longo dos tempos sendo perversa com seu povo. Paradigmas de politicagens educacionais, que deturpam o processo ensino-aprendizagem, menosprezando a presença do professor, da escola e família na educação integral do ser. A moral é a regra do bem proceder uns para com os outros, que diz respeito à ética; a vida, deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo.

A educação que dê criticidade, transformadora, troca experiências, vivifica almas, forma cidadãos, respeita a cultura e sua história, instrui e moraliza.

Nossos precursores sofreram com esta politicagem autárquica, que ainda hoje insistem em não dignificar os educadores, a família e a escola, que devem ser agentes do processo ensino-aprendizagem na transformação e reconstrução dos valores morais e humanos. Os noticiários falam por si, expressando nossa sociedade decadente, perversa, fria, sem dignidade humana.

Nossas armas são os livros, a educação moral, a reconstrução dos valores éticos, morais e humanos.

Se instruir acaba com o analfabetismo, sem a educação moral, ficamos analfabetos de sentimentos, de valores humanos. Tornamo-nos máquinas.

A família, a escola e nós educadores, temos a responsabilidade de hastearmos a bandeira da educação que além de instruir, moralize, vivificando no ser integral o aspecto do amor, sentimento, valores humanos e éticos.

Ontem, hoje e sempre, necessitamos de amor, mais que isso, de vivermos em sociedade, respeitando-nos como seres humanos, na educação que instrui e moraliza.

Eduquemo-nos!

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