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Artigo
31/03/2008

O Futuro Permanece Sombrio, Descaso?

Ronaldo Gomes

"14 milhões não freqüentam a escola RIO - Embora a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) tenha mostrado avanço nos índices de escolaridade nos últimos anos, o Brasil ainda tem 14 milhões de crianças e adolescentes com até 17 anos sem freqüentar a escola. O dado representa 24,2% do total. Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, o índice era de 26,2%. Desse total, 82,4% tinham até seis anos de idade. O percentual da faixa de 7 a 14 anos era de 4,6% enquanto 13% tinham de 15 a 17 anos. O Rio de Janeiro é o estado com a maior taxa de freqüência escolar com 80,3%, enquanto o Acre é o de menor freqüência, com 65,1%." (Publicada em 28/03/2008, Jornal O Globo).

Mesmo com tanta violência em nosso estado, podemos observar que o Estado do Rio de Janeiro mantém uma excelente taxa de freqüência nas escolas, isso porque a determinação e o desejo de estudar permanece em nossas crianças e adolescentes, e a família influencia para que isso aconteça - claro que existe ainda evasão - porém o índice de 14 milhões de crianças e adolescente é assustador, o futuro está, a cada instante, bem mais perto do que imaginamos, não há como fingirmos que nada acontece na educação.

Ainda temos muito a realizar, essa pesquisa pode mudar ao longo do tempo, com iniciativas permanentes de renovação, incentivo, com uma educação que dê aos alunos a criticidade, liberdade e participação plena nas discussões escolares, familiares e da comunidade. Que essa escola seja transformadora, que desenvolva no educando seu caráter, valores humanos, moralmente cônscio de suas responsabilidades, deveres, limites.

O descaso com a saúde é um exemplo da indiferença humana, mas estes mesmos seres humanos de hoje que estão a frente dos governos, em cargos públicos e de mando, tiveram que educação? Por certo a mesma que hoje estamos vivenciando no puro saber da instrução conteudista.

Não podemos negligenciar que os homens de hoje continuam frios e sem sentimentos fraternais para com o seu semelhante. Assim, a dengue, como qualquer outra doença e situação, pode ser tratada, com atos de prevenções humanas e ações educativas permanentes.

14 milhões de seres humanos à margem da sociedade, excluídos, e os excluídos de ontem, em sua maioria já pereceram ao longo do caminho, outros estão presos, jogados nas masmorras, outros poucos venceram, mas ainda permanecem na luta do dia-a-dia.

O futuro permanece sombrio, afinal 14 milhões somados a outros percentuais dos miseráveis, outros tantos esquecidos pela sociedade, podemos afirmar sem medo de errar, que a violência, o egoísmo e a forma pela qual teimamos em conduzir a educação, teremos muito trabalho pela frente, sofrimentos, desigualdades, miséria, guerras, exclusões.

A educação moral do ser integral é um fato que precisa ser resgatado na sociedade, o relaxamento dos costumes e dos valores na família e na escola, fomentam as desordens, desequilíbrios, tornando-se cada vez mais uma sociedade egoísta e indiferente.

Os pais, os educadores, vêm conduzindo a educação sem dar a necessária valorização moral ao ser integral, causando efeitos desastrosos nas atitudes, na formação do caráter das crianças e adolescentes. A família precisa ser alicerçada em suas bases sólidas de amor e educação moral, prosseguindo na escola dando a ênfase, o respaldo em que a família proporciona nos primeiros anos de nossas vidas, afinal a escola é constituída de seres humanos, de educadores que também tem suas famílias, e na qual, jamais possam esquecerem-se de suas prerrogativas e responsabilidade, na condução e formação moral dos seus educandos, uma vez que no ensino-aprendizagem, se prima pelos laços de afetividade, carinho, respeito, na troca constante, através do exemplo, para que os educandos se tornem senhores de seus hábitos e destino.

Se a educação moral não é a solução, nem tão pouco o continuísmo desta educação fundamentada apenas no cognitivo, pura e exclusivamente maquinal.

O homem necessita de afeto, amor, mais que isso, exemplos vivificantes de quem os conduzem ao futuro promissor de uma sociedade civilizada e moralmente humana.

Eduquemo-nos!

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