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Artigo
17/03/2008

Somos Seres Humanos?

Ronaldo Gomes

"MS: menina de 12 anos está presa em uma cela comum. Uma menina de 12 anos está há cinco dias presa em uma prisão comum no presídio masculino de Sidrolândia, no interior do Mato Grosso do Sul. O coordenador do Centro de Direitos Humanos Tupã, Paulo Ângelo, disse que a prisão é irregular e afirma que tentará a soltura da jovem nesta segunda-feira. Ela foi presa ao se apresentar na delegacia para evitar que o namorado, com quem iria fugir, fosse preso por corrupção de menores. Ao prestar depoimento ao delegado, ela teria dado um soco no delegado e por isso foi detida. Segundo o Fantástico, ela está em uma cela, sozinha."

12 anos, está numa cela; 12 anos, deu um soco no delegado; 12 anos, fugiu com o namorado de 18; 12 anos, onde estão seus pais, quem é sua família, está estudando? Infância roubada. Não há que esquentar, afinal isso é um caso isolado. Fato isolado? E de quem é a culpa? Da família? São inúmeros questionamentos, amanhã virão outros, hoje com 12 depois 18, não tem mais jeito. Será? Marginalizada ou uma marginal?

A educação por si mesma, nunca irá resolver estes e todos os problemas: Sócio, Cultural, Político, Econômico e Humano, isso em razão de que nós, os seres humanos, ao longo do tempo teimamos em dar à educação caminhos deturpados de uma educação maquinal, de puro conhecimento, meramente instrutiva, com peso e ênfase no campo profissionalizante, sem fundamentos humanos, de caráter, afetivo e moral.

Estamos à beira de um precipício, sai governo, entra governo, mas as políticas educacionais não mudam, porque as mentalidades e ideologias se camuflam, mesclam, no fundo seguindo os mesmos interesses, mesquinhos e hipócritas. Precisamos transformar a sociedade com determinações baseadas na educação moral do ser, sem devaneios, sem demagogia e despotismo.

Educação Moral é a ordem natural no processo ensino-aprendizagem, onde professor ensina-aprende-ensina e reaprende, com seu educando.

Não cabe mais fingirmos que nada acontece, negligenciando os acontecimentos galopantes de uma sociedade doente, vazia, egoísta, materialista, onde o abuso de poder impera, e a família está deteriorada. As formas paliativas de resoluções educacionais seguem os interesses de homens que desejam apenas enchere seus cofres com as somas das cifras milionárias, sem nenhuma preocupação com o seu semelhante e com o futuro da humanidade.

Somos frutos hoje de uma política educacional que vem se arrastando ao longo dos séculos, para fins escravistas, dando à escola o papel de ser apenas uma reprodutora educacional desses interesses ocultos de poder.

Educar é transformar, é dar caminhos, é trocar experiências, e desenvolver o ser humano, numa troca constante, entre família, escola, e sociedade, educando e educador, fortalecendo os laços de afetividade, fraternidade, humanismo, desenvolver o cognitivo, o conhecimento em prol de toda humanidade, dar ao sentimento a afetividade, formando homens com caráter, moral, e resgatar os valores humanos. Não basta instruir, se faz urgente o desenvolvimento moral do ser integral, na família, na escola, na sociedade.

12 anos, numa cela, podendo estar em sua casa, na escola. Onde estão seus sonhos de infância? Se é que teve ou está tendo uma infância. Quem são seus pais, onde eles estão? E sua escola? Teve amor?

Somos co-autores deste acontecimento, não? Somos seres humanos? E porque ficamos indiferentes aos acontecimentos?

Realmente a escola, sozinha, não resolverá tantos problemas, isso porque ela é constituída de seres humanos, mas de que seres humanos estamos falando? Homens ou máquinas?

Eduquemo-nos!

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