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Artigo
10/03/2008

Educação, Lágrimas e Vazio - Parte 3

Ronaldo Gomes

O prazer em estudar e adquirir conhecimentos é tarefa não só da escola, a família tem fundamentalmente maior importância ao incentivo, ao dialogo dos pais em estimular a criança para a vida escolar. Este prazer se fundamenta na vida diária desta criança, uma vez que ela passa 20 horas em seu lar, e quando não, já na tenra idade em uma creche, diminuindo sua vida dentro do lar.

Os pais ou seus tutores legais, devem estar compenetrados desta responsabilidade, já desde cedo em demonstrar e estimular a criança aos estudos, não como corretivo ou punição, mas a importância dos estudos para a vida e sua formação, não apenas profissional, porém mais que isso, sua formação humana, caráter e moral.

A família não pode simplesmente impor que a criança estude por uma obrigação, afinal estudar não é obrigação, simplesmente porque faz parte de nossa vida, assim como o ar que respiramos. A criança estimulada desde berço, aprende melhor desenvolvendo em si o aspecto do interesse pelo estudo, de ir à escola. A escola por sua vez deve desempenhar o papel de dar no ensino-aprendizagem uma abordagem dinâmica e eficaz contra o autoritarismo da educação tradicional, na prova que seja não apenas de mensuração, mas que possa ajudá-los em seu aprendizado, despertando-os para o aprender.

Em nossas experiências com escolas podemos observar alunos nervosos, trêmulos, suando frio, chorando, desesperados, por conta justamente das provas e testes que são jogados, atirados em suas vidas escolares, mas sem um fim em si mesmo que não seja de medir o conhecimento que estes tenham adquiridos, e professores que passam somente conteúdos. Em outras escolas, observamos alunos desabafando com inspetores, professores, até mesmo serventes, sobre suas vidas, suas dificuldades e carências, justamente porque no lar lhes faltam este dialogo franco e aberto.

A família e a escola devem ser os mediadores, os facilitadores deste processo, porém o que presenciamos é a imposição, não dialógica, com estes seres que mal acabaram de sair para a vida, e perguntamos: que educação estamos desenvolvendo em nossas crianças e adolescentes?

Tenho três filhos e o que mais faço é dialogar sobre a importância do estudo, e qual o caminho que eles preferem seguir, isso desde cedo, para que aos poucos eles façam por si uma avaliação interior de suas aptidões, desejos, fazendo-os pensar sobre seus caminhos.

A escola tem que ser um ambiente saudável que preencha o vazio do interior de nossa alma, onde elas possam sentir-se em casa, e o lar tem de dar sua real condição de dignidade humana, sem lágrimas, coadjuvando-se com a escola, em sua aplicação de formação de valores, não basta ensinar, dar conhecimentos, se faz urgente exemplificar, resgatarmos os valores humanos: Moral, de Vida, Amor e Caráter.

Há muito que fazer, assim a família e a escola precisam caminhar juntas no amor, no exemplo, na formação do caráter e dos valores humanos; mais que ensinar precisamos resgatar nosso valor moral, humano e afetivo.

Educação, Lágrimas e Vazio será coisa do passado, ainda há tempo de transformarmo-nos, refazendo e assumindo o resgate, que se faz urgente, porém necessário, de nossa formação moral, humana, do caráter. Afinal, somos homens e não máquinas.

Eduquemo-nos!

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