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Artigo
10/12/2007

Somos lixos humanos

Ronaldo Gomes
rgomes@educacaomoral.org

O prazer de estudar, ir para a escola, até mesmo em fazer a prova, tem de ser uma satisfação, porém, o que mais observamos é o estresse que envolve todo o processo de ensino.

As razões são claras: uma escola que visa apenas os conteúdos, não se preocupando com o ser integral. Professores mal remunerados, infelizes, cansados, sem perspectiva futura, outros mesmos indiferentes à educação, pensando somente nas cifras no final de mês.

Afinal, a ideologia educacional que é praticada visa o aspecto consumista da população, operacional, tecnicista, numa palavra, mão de obra de produtividade, abrangendo toda a sociedade, aos interesses autárquicos, no que ela deseja impor para continuar no mando dos negócios, do poder, sobretudo mascarando o ensino.

Não há efetivamente uma proposta educacional que seja de prevenção, de ações práticas, fundamentada na filosofia da educação moral do ser integral, que atinja a interiorização, a transformação, a autonomia, a criticidade, a moral e a liberdade do ser humano.

São bilhões gastos com paliatividade e propostas que visam somente o momento, numa palavra, tampar o sol com a peneira, porque, mais adiante, a situação detona pior. Estes aspectos são: a violência, a corrupção, a fome, a indiferença, o egoísmo, a miséria.

As instituições de ensino, sejam elas privadas ou públicas, seguem ideologias vigentes, não visam o ser humano, desenvolvem apenas o cognitivo, ficando o caráter, a formação do ser integral com sentimento, afetividade, moral, deixado de lado.

Assim observamos homens frios, vivendo maquinalmente, robotizados, e cada vez mais subjugando o próprio semelhante.

O lixo humano hoje é uma realidade, é só sairmos à rua e em cada esquina há "alguém" caído, esquecido na calçada, seja criança, jovem ou velho.

A escola é para ser momentos de prazer em estudar, aprender, ensinar, trocar experiências, ser acessível para todos, sem distinção. O educador deve ser bem remunerado, ter satisfação pelo que faz, ter amor, tem de ser humano, vivenciar o ensino-aprendizagem, se colocar no processo.

O fundamento da educação é a prevenção, porém, a educação que resgate os valores humanos, principiando-se na formação do caráter, da moral.

O prazer em estudar deve ser uma práxis educacional, entre escola e família, numa política humana, fraterna, afetiva e transformadora.

Se a educação não é a saída, nem tão pouco estas ações intervencionistas, que apenas maqueiam a realidade social, cultural, econômica e educacional do país.

Afinal, somos lixos humanos?

Ainda há tempo, façamos nosso dever de casa: Educar é prevenir, e prevenir é a práxis educativa de ação moral humana entre humanos.

Eduquemo-nos!

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