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Artigo
25/04/2011

Educação se faz com ações de vida

Ronaldo Gomes

O processo  de ensinar e aprender é contínuo,  desenvolvendo-se  primeiramente no seio familiar, em seguida na escola. Em qualquer sociedade a necessidade da convivência é inerente ao ser humano, isso se aplica para a vida toda, não há como ser diferente, afinal, o processo da educação se faz entre os seres humanos de forma inteligente e afetiva, nesse sentido, a endoculturação e socialização, coincide com a educação.

Vejamos: Endoculturação é a transmissão e a aprendizagem de comportamento dentro da mesma cultura, principalmente quando se é criança, realizado pela educação, na influência do meio social condicionando o ser humano onde ele esteja inserido. Não irei me estender muito neste assunto, mas é primordial compreendermos que a endoculturação é uma constante em nossa sociedade.

Em sala de aula, com aspectos culturais diferentes entre os educandos e incluindo os educadores, há um choque inicial de ideias, culturas, regras, maneiras de agir e pensar etc, o que acaba gerando os conflitos, os educadores enfrentando em sala de aula os aspectos de práticas habituais e comportamentais de seus educandos, inerente a comunidade onde moram, no entanto, tem de seguir a regra já preestabelecida pelas leis educacionais vigentes.

O educador acaba sendo o instrumento de todo este contexto numa deturpação educativa sem precedências, ficando a transmissão e a aprendizagem no mero jogar conteúdos, formalizadando o que chamamos de Educação Escolar.

Outro aspecto são os recursos técnicos e tecnológicos, e damos o nome de Educação Tecnológica, seguindo a determinação da classe dominante, sem a preocupação do verdadeiro processo do ensinar e aprender na formação do caráter do educando, e os valores humanos.

A evasão escolar começa em meio ao desinteresse do educando em se sentir deslocado por não estar aprendendo conforme sua realidade de vida, econômico, político, social, e cultural, se sentindo um estranho no ninho, e o educador desmotivado em tudo, sem  auto-estima, desqualificado, esquecido, descaracterizado.

Na socialização é a relação humana exercendo o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo, e sempre haverá direta ou indiretamente, dentro do processo pelo qual o indivíduo participa, o convívio com o outro, na troca constante, em uma interação e integração, assim, enquanto houver relação humana, haverá socialização.

O educando vai aprendendo e ensinando, absorvendo os conhecimentos, adaptando-se ao meio em que vive, e o educador reproduzindo as determinações das ideologias vigentes das políticas educacionais, direcionadas pela classe dominante.

A educação, na verdade, vai sendo descaracterizada do seu papel transformador,  de prevenção, formação do caráter, educação dos valores, espiritualizante etc, porque está sempre sendo direcionada para os fins e necessidades dos interesses do momento de cada época.

Educação é ato contínuo e a socialização existe por nossa causa, e sem ela nada seremos ou seríamos, assim, afirmamos sem medo de errar que: todo o processo da educação está intrinsecamente ligado às nossas ações uns com os outros.

Socialização, fraternidade, conduta, igualdade, sentimento, moral, são desenvolvidas através das relações nos diversos espaços de convivência social, ora como indivíduo na sociedade, do grupo ao indivíduo, do indivíduo ao grupo. Não basta assim ter na educação apenas o cognitivo nas prerrogativas da evolução humana, se faz urgente e necessário o sentimento, a educação que prima pelo seu real sentido: Educar o ser.

E educação se faz de gente para gente, com exemplo, amor, troca de informações, conduta, aplicação, dedicação, olhando e tratando o outro como gente.

Não podemos mais agir com sentimento tão somente quando surge a tempestade da violência que dizima o ser humano sem piedade, isso por conta do descaso anteriormente aplicado no espaço de convivência.

Quando compreendermos que Educação se faz todos os dias, no tratamento uns com os outros, sem marginalizar, sem preconceito, sem descriminalizar, sem distinção,  não bastando os conteúdos, os conhecimentos, daremos um grande passo rumo à educação moralizadora e espiritualizante, que vivifica no ser toda sua força transformadora e autônoma.

O processo do desenvolvimento no ensino-aprendizagem é, de fato, o trabalho profícuo que deve ser encarado todos os dias como um novo recomeçar, reconstruindo valores, quebrando a barreira dos paradigmas, e por fim elevando o ser humano como prioridade para uma civilização mais justa, humana, moralizada, fraterna e sociável.

Educação se faz com ações de vida, amor e dedicação do homem pelo homem e para o homem.

Eduquemo-nos!

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