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Artigo
02/08/2010

Educação sem Lágrimas

Ronaldo Gomes

A bala perdida dentro de sala de aula é o reflexo de toda ação humana ainda perdida numa complexidade educacional sem diretiva moral, rumo humanitário, sem valores, sentimento.

A criança alvejada estava com seu lápis na mão escrevendo as lições de aula, aprendendo, preparando seu futuro, assim como tantas outras que como ela, estavam desenvolvendo suas potencialidades com a facilitação da sua professora.

A felicidade dissipada por uma ação policial na troca de tiros com homens perdidos, sem referências, marginalizados, hoje marginais.

Podemos sim, refazer estas ações, estes acontecimentos.

Podemos reverter este quadro caótico e perverso em que nos encontramos.

Todos nós, pais, educadores, gestores, devemos rever nossa conduta diante de nosso educando.

Até quando estaremos fingindo que nada acontece e nos sensibilizando apenas quando esses acontecimentos aterrorizantes nos acometem?

Ontem, como hoje, estamos chorando por mais uma fatalidade, com toda certeza amanhã outros acontecimentos piores estarão acontecendo, mais crianças, adultos, jovens, estarão sendo vitimados por nossas ações egoísticas.

As noticias estarão estampadas nos jornais. Até quando?

Aliviar a dor da perda de uma criança: o filho, o amigo, o educando, não há palavras.

Lágrimas somente lágrimas.

Os tiros matam muita gente”. Palavras da criança antes de morre por uma bala perdida em sala de aula.

Se a sociedade está egoística é por que não há ações efetivamente educacionais que desenvolvam a afetividade, o sentimento, a moral, o respeito a vida, respeito ao próximo, a si mesmo, que dê prioridade a construção dos valores, não só no combate ao analfabetismo.

Não basta combater o analfabetismo, temos de combater o analfabetismo moral e dos princípios humanos.

Estamos perdendo nossa referência humana, referência cultural, de cidadania, da dignidade.

A educação tem sido manipulada, perdendo-se no vazio da alienação das mentes, deixando crianças, adolescentes e jovens, a mercê de uma política escravista, cerceada em seus direitos, perdida. Idosos desrespeitados, esquecidos em seu direito de ir e vir.

Em creches, escolas, instituições universitárias, onde deveríamos estar educando, ainda presenciamos muitos descasos, indiferença, distorções educativas, presença decorativa em sala de aula de muitos professores em suas ações.

Enquanto estivermos educando sem sentimento, sem amor, sem moral, a indiferença, a frieza, a prepotência, hipocrisia, filhas do egoísmo, se fará cada vez mais presente nas ações humanas, encadeando desgraças, guerras sem fim, misérias, fome etc.

Nós educadores precisamos erguer a bandeira da educação dos valores, nas discussões, diálogos, trocas de experiência, elevar nossas preleções sobre os valores humanos, a ética, a importância da vida, da solidariedade, do efeito de nossas ações uns com os outros, com a natureza, animais. Seja a aula qual for, não somente fazer apontamentos sobre o assunto proposto, mas enfatizar o aspecto da vida, sua importância na construção do homem pelo homem, não é filosofar, mas fazer da filosofia da educação o sentido da vida, do amor em nossa existência.

Que nossas aulas sejam de reciprocidade, que possamos ensinar e aprender, reensinar e reaprendermos uns com os outros, afinal, o que plantamos colhemos, e a colheita ainda tem sido de dor, ódios, rancores, personalismos, mesquinhez, mágoas, desamor, prepotência, invejas, covardias, ambições.

Que em nossas aulas façamos a diferença, sejamos os facilitadores do processo, somos seres humanos, não somos de outro planeta, devemos mostrar o que somos, porém sem macular a educação com posturas que mesclam o processo ensino-aprendizagem, destruindo sonhos, atrofiando, e alienando as mentes, devemos aos nossos educandos, no mínimo, desenvolver-lhes a autonomia, a criticidade, libertando-os da mediocridade, e da escravidão ideológica.

A esperança é promissora, mas para que isso aconteça, só através de nossa conduta ante uns aos outros na educação com amor.

Se a educação não é o caminho, caminhar sem a educação é permanecer na escuridão da ignorância.

Eduquemo-nos!

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