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Artigo
23/11/2009

Somos Responsáveis por Nossa Vida, Nossa Educação, Nossa Sociedade

Ronaldo Gomes

Estamos vivenciando cada vez mais uma constante luta por caminhos, soluções, uma bússola, a luz no final do túnel, na educação de nossos filhos que se encontram perdidos, e nós, os pais, ficamos por vezes sem chão, sem um norte nas decisões a serem tomadas quando nos defrontamos com os problemas familiares.

Limite, liberdade, diálogo, amor, firmeza, ética, conduta, entre tantos argumentos que são referências para uma educação de valores humanos, porém, na prática a condução é outra, ficamos perdidos, afinal a corrida do dia a dia nos faz seguir por uma estrada, enveredando num labirinto educacional direcionando nossas crianças e adolescentes para o vazio, sem horizonte, sem luz.

O que presenciamos é uma sociedade sem rumo, ainda primando por uma educação que visa tão somente a instrução. Escola e família sendo reprodutoras da elite nas diretivas de formar homens-máquinas, numa palavra, robotizados, humanóides.

Anísio Teixeira já nos alertava para o perigo em que a elite, com as políticas partidárias, conduzia e conduz a educação como se fora transformadora, porém, na verdade, sutilmente, apenas camuflando as reais intenções para uma educação tecnicista, pura instrução, na busca da mão de obra qualificada, em que a cada época se faz necessária, onde a vida humana fica à mercê da ambição monetária na luta desigual, sem horizonte, o homem destruindo seu semelhante, sem tempo para reflexão sobre a vida, homens se digladiando, lutando pela corrida do ouro, sem tempo para compreender, desequilibrados, indiferentes.

Assim é que observamos inversão dos valores humanos, ética distorcida, moral desmoralizada, família sem rumo, sem horizonte, totalmente perdida, sem fundamentos de vida, amor, sentimento, respeito, solidariedade, sem humanidade.

A degradação familiar está cada vez mais galopante, jovens delinquentes, marginalizados, perdidos, enfrentando obstáculos, medos, receios, crises existenciais. Pais sem tempo para a família, seus filhos, para si mesmos, para a vida.

Com a globalização cada vez mais acentuada, o ser humano vive na galopante corrida para açambarcar recursos financeiros, perdendo a referência de humanidade, de vida e de sentimento um pelo outro.

Escolas-cursos promovendo uma corrida desenfreada pela obstinação de quem será o primeiro, o melhor.

Precisamos compreender que somos seres humanos, e necessitamos viver em sociedade, livres, mas com responsabilidade, disciplina, solidários uns com os outros, numa palavra, o homem pelo homem, a educação pela educação.

Retomar o caminho da educação do caráter, dos valores humanos, da moral, do sentido da vida, onde a prática educativa deve ser constante na vida humana, construindo passo a passo no desenvolvimento da afetividade, sensibilidade, tornando-nos homens com sentimento, emoção, verdadeiramente humanos e espiritualizados.

Para compreendermos os problemas de hoje na família, precisamos voltar às nossas origens. Que cada leitor realize uma viagem ao passado, à sua infância, buscando respostas para suas indagações, dúvidas, medos, inseguranças, indo ao encontro de suas raízes.

Quando crianças, sobretudo, antes mesmo de nosso nascimento, sabermos se fomos aceitos antes e durante a gestação, afinal nossos pais tiveram amor por nós? Fomos recebidos com ternura, carinho? Nossa mãe, na gestação, teve o acompanhamento adequado pelo seu médico? Teve a atenção familiar? A gestação foi salutar ou com alguma dificuldade? E as dificuldades quando ela mesma foicriança, como foram superadas?

São muitas as indagações aparentemente sem importância que podem nos afetar durante a vida, e que, muitas vezes, passam em nossa mente como um filme, quando estamos com nossos filhos no ato de educá-los.

Há que se levar em conta também os aspectos culturais de nossos antecessores, bisavôs, avôs e nossos pais, sem desconsiderar os aspectos sociais, políticos, econômicos de suas épocas.

Desconsiderar nosso histórico de vida é ficarmos na mesmice, vivenciando na sociedade as problemáticas já conhecidas.

Desta forma o hoje precisa ser questionado, observado nas mesmas considerações, para que possamos ir trabalhando desde cedo nossos valores e estarmos cônscios de nossas responsabilidades antes, durante e depois do casamento, conscientes de que não basta ter os filhos, se faz necessário e urgente reeducarmo-nos.

A educação do ser integral deve reencontrar o caminho dos valores humanos, da ética, da moral, do amor, onde a família sempre dá seus primeiros passos rumo à sociedade, e na escola somos os ícones da educação que deve dignificar, desenvolvendo o ser em suas potencialidades.

Somos, numa palavra, os responsáveis por nossa vida, nossa educação, nossa sociedade, nossa família e nossa escola. Somos ao mesmo tempo educadores e educandos, aprendendo e reaprendendo eternamente uns com os outros, na escalada da vida, na educação com amor, do homem pelo homem.

Eduquemo-nos!

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Análise&Crítica
Blog de Marcus De Mario