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Artigo
25/05/2009

Educar é Educar

Ronaldo Gomes

O descaso com a educação é fato real, desviada, levada ao encontro dos interesses das políticas partidárias, por todas as camadas sociais de nosso país, mais ainda, a elite determinando o que bem entende, com uma educação tecnicista para preparação da classe operária cada vez mais técnica e operacional.

Educação desviada, que tem feito muitos homens máquinas, materialistas, mesquinhos, egoístas, sem escrúpulos, visando apenas o poder aquisitivo e sua tão sonhada preparação para o trabalho escravista.

Escravista na razão simples de que as elites assim pagam aos seus trabalhadores uma quantia ilusória, assalariados que no final do mês apenas trocam seus ganhos nas mercadorias que compram, sendo estas, em muitas ocasiões, realizações dos seus trabalhos prestados a essa mesma elite.

Colégio-curso preparando educandos para o mercado de trabalho, aos interesses dos pais e suas aparentes causas, julgando darem aos seus filhos um futuro promissor, acreditando ser este o único caminho, sem diretiva, horizontes, um norte para o desenvolvimento do individuo e suas potencialidades.

Escolas-cursos que ao final do ano os educandos que se sobressaíram, darão nome a esta instituição de ensino perpetuando assim o chamado ensino de qualidade, fazendo jus para que no ano seguinte aumente o volume de educandos matriculados e assim sucessivamente.

Onde se encontram os filhos da elite? Estão nas mesmas escolas preparatórias ou em escolas mais avançadas, muitas vezes fora do Brasil.

A educação é um ato continuo, não ficando apenas no aspecto do desenvolvimento cognitivo, onde o saber puro e simples tem fomentado e levado os indivíduos a não refletirem sobre seu futuro como seres humanos, tornando-os escravos de si mesmos, e indiferentes. Necessitam despertar para a realidade da vida em sociedade, política e economicamente mais justa, humana, civilizada.

A educação é a condução, a preparação do desenvolvimento cognitivo e afetivo do ser integral, mesmo antes de seu nascimento, onde, no seio familiar, recebemos nossos primeiros processos educativos.

Assim sendo, há que termos em nossas escolas, cursos, família, em toda as classes sociais, uma visão macro da educação, com profissionais capacitados, envolvidos e comprometidos com a educação do ser humano.

Educadores que façam a diferença, preocupados com a formação não apenas intelectual, mais que isso, o afetivo, na preparação moral e verdadeiramente humana.

Se reclamamos de uma sociedade violenta, indiferente e egoísta, temos de nos reportarmos aos passado da educação e como ela fora empregada, conduzida na formação dos homens de hoje, enquanto crianças ontem. Verificaremos que estamos na retórica educacional, desviando o papel real da educação, ou seja: Educar é um ato de amor, de prevenção, que passa primeiro por nós educadores, numa formação continuada, onde, devemos ser os facilitadores deste processo ensino aprendizagem, seja no aspecto cognitivo e afetivo, formando homens moralmente comprometidos com o seu semelhante e consigo mesmo.

Quantas crianças e jovens, adultos, ainda permanecem sem estudos,sem escola, sem um lar, sem a dignidade da instrução e do seu desenvolvimento afetivo de fato equilibrado, respeitados em seus direitos de cidadão e ser humano?

Quantos ainda permanecem no anonimato, esquecidos, marginalizados, vivendo em condições precárias sem humanidade?

Escolas que são verdadeiros lixos, depósito de crianças, locomoção de difícil acesso, crianças e jovens que necessitam trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias.

A educação clama por uma ordem de quebra de paradigmas e das retóricas partidárias, onde a lei do mais forte ainda predomina e castra os menos favorecidos.

Educar é educar-se, exemplificando no dia a dia, na troca de experiências um com o outro, para o crescimento e desenvolvimento mútuo, que possibilite aos educadores e educandos, o crescimento profícuo e salutar entre ambos, extirpando de vez o personalismo, o descaso de muitos educadores, gestores e políticos.

Educação é para todos sem exceção, sem fronteiras no limiar de uma nova aurora, da esperança de um mundo mais civilizado e verdadeiramente moralizado e humano. Está em nossas mãos transformar este quadro caótico e mascarado, com ações verdadeiramente educacionais, na realização do resgate dos valores humanos, promoção social e formação do caráter.

Eduquemo-nos!

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Análise&Crítica
Blog de Marcus De Mario