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Artigo
16/06/2008

Minha Vida por Um Celular

Marcus De Mario

Reportagem publicada na internet dá conta que:

"Duas crianças na Espanha foram internadas em uma instituição para tratamento de problemas mentais por estarem aparentemente "viciadas no uso do telefone celular". Os jovens aprendizes da era tecnológica simplesmente não conseguiam mais realizar suas tarefas sem portar ou usar o aparelho, e começaram a mentir para parentes a fim de conseguir mais dinheiro para sustentar as conversas telefônicas. A intervenção polêmica das duas famílias neste caso põe em pauta uma discussão atual e preocupante: o vício infantil em celular é uma realidade, ou uma interpretação exagerada de um hábito moderno? Segundo a imprensa espanhola, as crianças de 12 e 13 anos de idade foram enviadas para a clínica por seus pais. Eles afirmam que elas apresentavam desempenho ruim na escola e não conseguiam brincar ou estudar por ficarem fixadas nos aparelhos. A médica Maite Utges, diretora do Centro de Saúde Mental para Crianças e Adolescentes de Lérida, afirmou que esta é a primeira vez que a clínica trata crianças dependentes de telefone celular. – As duas mostravam um comportamento perturbado e isto era notado nos problemas na escola. As crianças tinham graves dificuldades para levar uma vida normal – disse a médica a jornais espanhóis. As crianças ganharam os telefones celulares há 18 meses e seus pais não colocaram nenhuma restrição ao uso dos aparelhos antes de notarem a seriedade da dependência. Há três meses, as duas crianças tentavam se adaptar à vida sem telefone celular, mas não conseguiram."

Diante da notícia ficamos a perguntar: para que serve a educação? Sim, fazemos a pergunta porque, no caso, nem a escola, nem a família, conseguiram educar as crianças, que acabaram num centro de saúde mental. Para resolver a questão, o governo japonês está distribuindo uma cartilha com recomendações de restrição do uso do celular pelas crianças e jovens, ou seja, já que não conseguimos educar, vamos controlar.

É a falência da educação, não é mesmo, pois a educação deveria, ou melhor, deve, criar no educando bons hábitos, o que precisa ser feito desde o nascimento da criança, sem esperar que ela tenha uma certa idade, como muitos pais fazem.

Infelizmente, assistimos nossas crianças crescerem, tornarem-se adolescentes e serem tragadas pela mídia perversa do consumismo, para só depois querermos educá-las, e mesmo assim com atitudes radicais, como retirar o celular. Resultado: as meninas, do caso em questão, não conseguiram equlibrar o seu viver.

Os pais não podem assistir compassivamente o desequilíbrio dos filhos no uso de aparelhos de comunicação, ou de qualquer outro aparato tecnológico, tendo de agir com antecedência, de forma preventiva, orientando e dando o bom exemplo de como se deve usar moderadamente o aparelho, para que estejam sempre abertos espaços para a brincadeira, o cinema, o teatro, o passeio, as amizades, etc.

Pensemos nisso!

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