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Artigo
02/06/2008

Geração sem Rumo

Marcus De Mario

Ensinamos muitas coisas aos jovens. Da creche à pós-graduação eles aprendem desde a coordenação motora até a física quântica, passando pelas línguas estrangeiras, a informática, o judô, a matemática, a história e uma infinidade de conteúdos curriculares que os preparam para a vida, permitem que sejam alguém no mundo, que tenham uma profissão, entretanto, eles se drogam, se alcoolizam, engravidam, agridem, se matam. Estão, realmente, preparados para a vida? A resposta é um sonoro "não!". Isso porque ensinamos muitas coisas, mas não ensinamos o essencial, ou seja, não ensinamos sobre eles mesmos, sobre a vida, sobre construir relações com os outros.

Os jovens vivem pressionados para dar resultados: demonstrar suas habilidades e competências; passar no vestibular; dominar a tecnologia da informação; ser alguém na vida, e nessa pressão, ele desloca para a sociedade atos que chegam à extrema selvageria ou à total indiferença. Violentos ou apáticos, consumistas ou acomodados, vivem o dia de hoje sem olhar para o dia de amanhã.

Nem as escolas, nem as universidades, ensinam sobre a alma, a auto-educação, a vida, os valores, o amor, o caráter. Sofrendo as pressões criadas pelo homem, que visa tão somente resultados que possam ser comprovados por estatísticas, os jovens se deixam levar e nada constróem de duradouro, chegando mesmo ao desprezo pela vida.

O ensino deve ser regido pela educação, não se pode crer que o ensino seja a educação. Essa confusão, que há muito tempo fazemos, é responsável pelos incontáveis males, geração a geração, que refletem no comportamento juvenil.

Vejamos o quadro da administração pública, incluindo aqui os representantes eleitos pelo povo. Não faltam diplomados nas mais diversas áreas do conhecimento, intelectuais de renome, entretanto, a justiça social não é implantada, os problemas econômicos não são solucionados, o meio ambiente não é respeitado, as guerras não são extirpadas, o desequilíbrio social não é minimizado, a corrupção não é debelada. Contudo, eles sabem, eles têm o conhecimento. O que está faltando? Falta a educação do caráter, com ensinos que levem o jovem ao despertar para a profundidade do significado da vida.

Deve o ensino equilibrar conteúdos e atividades para o pleno desenvolvimento emocional e cognitivo da criança e do jovem, fazendo com que eles despertem para os valores humanos, para as virtudes.

Se os pais isso não compreendem, é porque, quando jovens, igualmente não receberam esse ensino. Compete aos educadores e a escola os reeducarem.

Os noticiários mostram à saciedade que os jovens atuais formam uma geração sem rumo. Está na hora de indicarmos um novo caminho, e isso é possível, basta abraçarmos com a alma, e não apenas com as palavras, a educação moral.

A educação moral é a que forma o caráter, desenvolve as virtudes, dá sentido à vida, elege o amor como base da convivência social. É a que trabalha a formação de bons hábitos, corrige tendências negativas e dá amplitude ao autoconhecimento.

A renovação social virá através da renovação dos indivíduos. Esse trabalho compete à educação, que deve cumprir sua missão de moralizar - no sentido amplo - a criança e o jovem.

Pensemos nisso!

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