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Artigo
19/05/2008

Onde Está Nossa Juventude?

Marcus De Mario

O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), divulgado em dezembro pelo governo brasileiro, mostra a triste realidade da educação brasileira. Segundo o IDJ, mais da metade (53,1%) dos jovens brasileiros não estuda em qualquer modalidade de ensino. O índice só é menor que 50% em seis Estados: Amapá (44,4%), Amazonas (49,3%), Piauí (46,9%), Sergipe (48,9%), Rio de Janeiro (45,7%) e Distrito Federal (45,9%). Na análise do percentual de quem estuda, verificou-se que mais de 50% não estão nas séries correspondentes às idades. O relatório mostrou também que 51% dos jovens brasileiros exercem algum tipo de atividade remunerada. O destaque fica para a região Sul, com 57,5% dos jovens trabalhando, especialmente Santa Catarina, onde 61,9% dos jovens estão inseridos no mercado. Ao cruzar os dados dos jovens que não estudam nem trabalham, a pesquisa chegou em um percentual de 20%, o que representa quase sete milhões de jovens em situação de elevada vulnerabilidade.

Os números são, realmente, alarmantes:

- Aproximadamente 18 milhões de jovens brasileiros estão fora da escola.

- Dos que estã estudando, uma parcela significativa de quase 9 milhões de jovens estão atrasados nos estudos.

- E 7 milhões de jovens nem estudam, nem trabalham, estão ociosos.

Que futuro podemos projetar para o nosso país?

Para remediar esse quadro tão apavorante, o governo federal desembolsa bilhões de reais em programas sociais paliativos, tentando vincular o auxílio social à frequência das crianças na escola. Mas, que escola? Com qual qualidade de ensino? E o ensino médio, como fica? E a responsabilização dos administradores públicos, nesse caso dos governadores e secretários estaduais de educação, que não cumprem com os compromissos pela educação?

Nossos jovens estão largados, esquecidos, abandonados e à mercê das influências negativas, como a drogadição, o alcoolismo, o sexo sem freios, a violência gratuita, o crime. Como poderão ser bons pais, bons profissionais, bons seres humanos?

É por tudo isso que apresentamos a tese da educação moral como o antídoto eficaz no combate a todos os males da sociedade. Educação moral que deve ser desenvolvida na família, na escola e na comunidade, envolvendo pais, professores e toda e qualquer pessoa que faça parte do contexto social. Entretanto, a educação moral só pode ser exercida por quem faz o próprio dever de casa, ou seja, por quem está constantemente preocupado com a sua própria moralização.

Se a educação moral deve começar no berço, não pode ser esquecida na juventude, mesmo que o jovem não a tenha recebido desde os primeiros passos na vida. Sempre é tempo de educar, ou de reeducar, dando oportunidade para que esse ser, já amadurecido, e ao mesmo tempo perdido, possa ter um encontro consigo e com os outros em nível diferente, em situação diferenciada. Esse é o trabalho da educação moral.

Não basta construir centros tecnológicos de formação profissional. Revitalizar o ensino médio é urgente, abrindo mais vagas, fortalecendo o ensino e a vivência da humanização, da afetividade, da cidadania.

Pensemos nisso!

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