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Artigo Um Barquinho no Mar Revolto Marcus De Mario Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra que apenas 53,8% das crianças brasileiras matriculadas na escola conseguem terminar a 8ª série (ou 9º ano). O dado diz respeito a 2005, e indica que a situação piorou em relação a 1999, quando 61,1% dos jovens concluíam o nível fundamental. O problema é provocado pelos altos índices de repetência e evasão. Na 1ª série do ensino fundamental, informa o relatório, 27,3% das crianças brasileiras foram reprovadas em 2003. No Nordeste, apenas 38,7% conseguiram terminar o ciclo fundamental. Com uma das maiores taxas de repetência do planeta, o Brasil corre o risco de não atingir pelo menos três dos seis objetivos do chamado compromisso Educação para Todos, estabelecido mundialmente em 2000, com metas até 2015. Entre elas, a oferta de ensino de qualidade e a redução pela metade do analfabetismo de jovens e adultos. O Relatório de Monitoramento de Educação para Todos acompanha o que 129 países estão fazendo para atingir os objetivos. O Brasil não tem muito a comemorar: aparece em 76º lugar, atrás de vizinhos como Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia e Paraguai. A posição intermediária indica que o país poderá não cumprir o que prometeu em 2000. Em 2001, quando o ranking foi elaborado pela última vez, o Brasil estava em 72º lugar, e recuou quatro posições. Como não existe um teste mundial de conhecimentos, o estudo avalia a qualidade do ensino por meio de um indicador comparável internacionalmente: o número de estudantes que chegam à 5ª série do ensino fundamental (6º ano), ou seja, que "sobrevivem" à escola. No Brasil, essa taxa era de 80% em 2005. O indicador piorou em relação a 2004 (84%). A conclusão é que a escola pública ensina pouco e ainda expulsa parte dos alunos ao longo dos anos, seja por meio da repetência ou da evasão. Mas, nem tudo está perdido. O Brasil reage contra a evasão e a repetência implantando a aprovação automática, e o resultado é outro desastre: 32% da população entre 16 e 64 anos é analfabeta funcional, ou seja, não possui habilidades para leitura, escrita e cálculo, segundo relatório publicado pelo Ministério da Educação (Mec). A educação brasileira mais parece um frágil barquinho perdido nas ondas gigantescas de um mar bravio, em meio a uma tempestade. Assistimos o jornal televisivo mostrando escolas de um determinado município sem carteiras e com dependências físicas em péssimo estado, e a Secretaria de Educação expede nota afirmando desconhecer qualquer problema desse tipo nas escolas. Não fossem as imagens e até acreditaríamos. A questão é bem mais profunda do que apontam os relatórios, pois envolvem os pais, os professores, os gestores, os administradores públicos, as políticas educacionais e a filosofia que rege o sistema de ensino. Vai desde a falta de comprometimento de alguns, até o desvio de verba, passando pela substituição da educação pelo ensino. Felizmente o barquinho é forte, vai suportando as investidas das ondas furiosas, só não sabemos até quando irá essa resistência heróica. Pensemos
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