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Artigo Ética, Uma Questão de Educação Marcus De Mario Após um dia de trabalho, o pai estava no aconchego do lar assistindo o noticiário televisivo, ao lado da esposa e dos filhos. Em certo momento assistiu reportagem sobre desvio de verba pública envolvendo administradores públicos e representantes políticos. Indignado, disse aos filhos: "Isso é uma pouca vergonha, um absurdo, parece que todos eles são corruptos, é uma imoralidade". E arrematou: "E quase não estou aqui para lhes falar isso". Instado pelos filhos a uma explicação, disse: "É que quando vinha para casa um guarda me parou e queria me multar, tive que escorregar um dinheiro para me livrar". Para esse pai, desviar verba pública é corrupção, é desonestidade. Corromper o guarda de trânsito é ser esperto, é sair no lucro, evitando uma multa mais cara que a chamada propina. Entretanto, no pequeno ou no grande, a questão não é a mesma? Pode parecer muito conveniente adaptar a ética aos próprios interesses, mas em continuando assim estamos reforçando inversão de valores e mantendo a crise moral do homem, que se reflete na sociedade. Solução para crise moral, só com aplicação da educação moral, aquela educação que reforça valores positivos, que leva ao desenvolvimento do senso moral. Queremos acabar com a corrupção e todos os seus males? Apliquemo-nos em trabalhar a educação moral, iniciando por nós mesmos, pois sem bons exemplos, dificilmente nossos filhos serão honestos e éticos. Fala-se em educação para o trânsito para respeito à leis e diminuir o índice de acidentes e vítimas; educação da população para o combate ao mosquito transmissor da dengue; educação social para respeito às normas de convivência nos centros urbanos, e, claro, educação moral de todos nós para combate à corrupção, à violência e outros males. Sempre educação. Talvez as pessoas, quando falam desses diversos tipos de educação, não estejam alcançando o alto significado de educar, talvez estejam no nível da instrução, mas não é mais importante fazer essa discussão, e sim compreender que há uma certeza: somente a educação pode dar jeito nas coisas que não estão indo muito bem. Transformar essa certeza em ações concretas e contínuas é o que nos falta, pelo menos no contexto geral, pois a educação vive sempre à mercê dos interesses políticos, culturais, corporativos, quando deveria ser a base da vida humana e nortear os demais interesses numa perspectiva coletiva, e não individualista como hoje sucede. E não é difícil fazer isso, pois temos exemplos muito bons na área da educação que podem ser copiados, adaptados e serem exercidos no contexto de um projeto interdisciplinar que vai se realimentando ao longo do tempo, porque continuidade é imprescindível para alcançar bons e duradouros resultados. Assisti recentemente o filme "Coach Carter", ou "Técnico Carter - Treino para a Vida", com o ator Samuel L. Jackson, disponível em dvd, baseado na história real do ex-jogador americano de basquete Ken Carter, que tornou-se técnico da equipe juvenil de basquete do Colégio Richimond, onde apenas 50% dos alunos se formavam, e destes apenas 6% chegavam à universidade. A realidade mostrava que os alunos hispano-africanos, maioria no colégio, tinham 80% de chance de serem presos por crimes cometidos. Mas ele mostrou à direção do colégio, aos professores, aos alunos e à comunidade, que a educação é o caminho para transformar. Superou os obstáculos de seu ambiente e mostrou aos jovens um futuro que vai além de gangues, prisão e até mesmo do basquete. A educação não é uma panacéia, um remédio que tudo resolve; é o único caminho que pode transformar a atual e a nova geração, que então transformarão a sociedade. Não fosse assim e ninguém estaria dizendo que trânsito, dengue, comportamento social, etc são uma questão de educação. E ética também é uma questão de educação. Pensemos
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