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Artigo
14/04/2008

O Preço de Um Aluno

Marcus De Mario

Preocupada com a manutenção do aluno em sala de aula, num combate à evasão, uma escola inovou: agora os alunos que mantiverem assiduidade, ou seja, que não faltarem, ganharão um celular! Talvez o prêmio pudesse ser um vídeogame, ou mesmo um computador portátil, mas parece que o celular agrada aos jovens de ambos os sexos, o que não aconteceria com outros prêmios. Apesar do tom jocoso de minha fala, estou estarrecido, pois o que está valendo é a pedagogia da troca: você frequenta a escola e eu lhe dou um celular; você vai bem na prova e eu lhe dou uma boa nota, e por aí vai. O que estamos fazendo com a educação?

Será que alguém pergunta quanto ao comportamento, aprendizado e desenvolvimento moral do aluno, ou o que interessa é apenas a frequência? Será que alguém quer saber se ele estudou ou colou, ou o que importa é só o que está no papel? Voltemos à pergunta: o que estamos fazendo com a educação?

E tudo nos faz acreditar que a gestão escolar, igualmente os professores, não estão se perguntando o que há de errado com a escola, com o processo de ensino. Partem da premissa que o problema é o aluno, é essa geração de crianças e adolescentes que não quer saber de nada na vida. Será? Por que essa generalização? Será que no universo infanto-juvenil não há quem queira algo com a vida?

Ainda mais algumas perguntas: Os professores são infalíveis? A escola está sempre certa? Os melhores esforços estão mesmo sendo empregados para um processo ensino-aprendizagem motivador e desafiador? A escola está inserida ou isolada no contexto comunitário? Os alunos são incentivados a criar e participar?

Escrevo e sinto que minhas palavras não produzem efeito. Pensar dá trabalho e, como disse uma professora amiga, "para quê esquentar a cabeça? Os alunos que se virem". Sei que essa professora não representa a totalidade do professorado, pois entre os professores muitos possuem amor ao que fazem, possuem dedicação e tudo fazem por motivar seus alunos, mas é desalentador encontrar essas ervas daninhas, que são em muito maior número do que se pensa, no meio escolar.

Estamos fazendo da educação um jogo de barganhas. Se a escola tirar boa média na avaliação oficial, terá verbas liberadas, senão... Mas alguém quer saber como a escola fez para alcançar o índice considerado satisfatório na avaliação? Muitas escolas escolhem os alunos e os preparam especialmente para o exame. É uma maquiagem.

E fico a me perguntar: um aluno vale um celular? Sinceramente, se o aluno em questão fosse minha pessoa, me sentiria desvalorizado. Até, por interesse, frequentaria as aulas, estaria sempre presente na escola, agora, isso não quer dizer que estudaria, que mudaria de comportamento, afinal basta manter a frequência para ganhar o celular, essa é a única condição.

Diante disso, não temos razão para nos assustar diante dos problemas sociais que enfrentamos. Todos os dias uma geração de alunos diplomados é lançada na sociedade, uma geração de jovens sem senso moral, sem ética, sem perspectivas maiores de vida, sem saber o que é cidadania, apenas instruídos para ter uma profissão, ganhar dinheiro e gozar a vida. A culpa pelos males sociais é nossa, que na família e na escola não estamos educando, apenas estamos, e muito mal, ensinando.

Deixo aos leitores, para uma meditação profunda e apelo à transformação, as duas perguntas que motivaram estas linhas escritas: O que estamos fazendo com a educação? Um aluno, que é um ser humano, tem preço?

Pensemos nisso!

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