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Artigo Os Filhos dos Pais Marcus
De Mario Perguntou-me um jornalista: "Como as professoras devem aplicar o amor na educação desses pestinhas? Devem dar beijinhos?" Ele se referia, ironicamente, aos alunos que são considerados agressivos, bagunceiros, desleixados, etc, os "pestinhas". E destilava sua ironia ao amor no processo educacional, que possivelmente considerava coisa absurda, como, aliás, muitos professores também consideram. Respondi, calmamente, que, primeiro, o aluno é uma pessoa, é um ser humano dotado de inteligência e sentimento, não é uma "peste" ou "pestinha", portanto, o professor precisa mudar sua visão sobre o aluno e parar com essa rotulagem depreciativa, que ele não gostaria que fizessem com um seu filho, portanto, não devendo fazer isso com os filhos de outros pais e mães. Segundo, informei que todo aluno, criança ou adolescente, tem um histórico de vida familiar, social, cultural, psicológico, escolar. Esse histórico deve ser de conhecimento do professor, pois não há possibilidade de bem educar sem conhecer o aluno, isso porque cada aluno em sala de aula é uma individualidade única. Conhecendo esse histórico, o tal "pestinha" pode ser uma criança mal amada clamando por um abraço, um afago, por compreensão e oportunidades. Terceiro, lembrei que compete ao professor, de forma constante, empenhar-se na sua auto-educação, pois a maior força da educação é o exemplo. Se ele discrimina, se trabalha fomentando preconceitos, se levanta a voz e grita, deixa de ter autoridade moral, muitas vezes nivelando-se ao tal auno-problema. E, finalmente, lembrei que está nas mãos do professor fazer a diferença na educação, e que o amor deve estar presente no sentido de orientar, facilitar, alicerçar as relações interpessoais e o processo ensino-aprendizagem, e isso acontece dando limites, estabelecendo regras, distribuindo responsabilidades, pois o amor não pode ser cego. É por amor que devemos educar, e educar também é disciplinar, mas sem violência. Tudo isso me leva a refletir sobre a famosa reunião de pais promovida pela escola, famosa porque virou sinônimo de reclamação sobre os alunos, que também são filhos dos pais que vão ouvir as reclamações. E gostam os pais de ouvir falar mal, por parte dos professores, dos seus filhos? Claro que não! Por isso faltam às tais reuniões, que são muito chatas e os ofendem. E mais: os professores e a escola sempre estão com a razão, não adianta argumentar, nunca erram. Esse é o sentimento generalizado entre os pais. E muitos pais, por ignorância cultural, acreditam no que os professores dizem, afinal eles têm formação profissional, eles conhecem a educação - infelizmente isso não é verdadeiro. O jornalista não fez mais perguntas. Coitado, não tem culpa, não é obrigado a conhecer pedagogia, apenas traduziu o que a maioria pensa. Mas professores e pais deveriam ter essa obrigação, afinal são os responsáveis pela educação, lembrando que o professor também é ou será pai ou mãe. Se você é professor, cuidado! Seus alunos são filhos de outros pais. Ame-os se você quer realmente educá-los. Pensemos
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