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Artigo Mudando o Que Vem de Fora Marcus
De Mario Assistimos os acontecimentos violentos entre os jovens dentro da escola, mas como não aconteceu dentro da sala de aula, nós professores damos de ombro: "não é problema meu". Afinal, para que existem inspetores, coordenação, direção? E se o fato aconteceu na rua, fica patente que o problema é dos pais, é da família, pois a escola apenas recebe o que vem formatado de fora. É o que pensam, e o que dizem, muitos professores. E assim evitam se envolver, saem da sala de aula e vão direto para a sala dos professores, e depois voltam para a sala de aula, e ficam viciados nesse vai e vem, cegos para o que não querem ver, omissos para o que não querem fazer. Ah, se todo professor soubesse do poder de um "bom dia!" acompanhado de um sorriso e de um rosto estampando alegria... Ah, se todo professor soubesse o poder de um abraço... Ah, se todo professor soubesse o poder de uma conversa amiga, mais ouvindo do que falando... Ah, se todo professor soubesse o poder do estímulo... Ah, se todo professor soubesse o poder de uma aula interativa, dinâmica, prazerosa... E se tudo isso tem poder sobre o rendimento dos alunos e seu comportamento com os outros, imaginemos tudo isso com decisivo e operante apoio da direção da escola... O maior pecado que podemos cometer na educação escolar é a omissão, que está sempre acompanhada da irmã indiferença, que é prima da insensibilidade. E não adianta dizer que o problema está na família, na deseducação provocada por pais e responsáveis, pois professoras e professores, em boa parte, também são pais. Será que a omissão gerou a loucura de acusarem a si mesmos e não se darem conta disso? Não resta dúvida que boa parcela dos indivíduos está violenta, egoísta. Que a coletividade reflete essa condição dos indivíduos. Que a escola recebe esse fluxo sócio-individual. Mas é justamente a escola o agente social indicado para promoiver mudanças, porque é a escola o agente social instituído para promover a educação. O que está acontecendo? Por que a escola não está, geração a geração, promovendo mudanças? Porque trocou a educação pelo ensino, substituiu a formação pela instrução. A escola, através dos professores, quer dar aula; quer preparar para testes, provas, vestibulares; quer ensinar uma profissão; quer fazer inserção social através dos esportes. E perdeu o caminho da educação do ser. Hoje, tudo é sistema de ensino, apostilas, internet, notas. Nada de valores, socialização, formação do caráter, diálogo, participação, tudo isso relegado a projetos, quando acontecem. As escolas que trabalham a educação, se preocupam com o ser integral, realizam a conscientização para um mundo melhor, são consideradas escolas experimentais, olhadas meio de lado, como ilhas de excessão. Apesar de seus bons resultados, existe um crença mal disfarçada que isso não é possível acontecer em escala maior, por exemplo, na rede pública. Como as tentativas foram abafadas, não se pode fazer uma análise, e fica a descrença como um valor definitivo. E a integração com a família, permitindo a participação dos pais? "Eles não querem nada, nem aparecem nas reuniões", é o que dizem. E fico pensando: como os pais que trabalham podem comparecer a uma reunião marcada para um dia da semana, em horário comercial? E porque comparecer, quando podem, para ficar ouvindo reclamações? Professores e escolas... Ensino ou educação? Omissão ou mudança? Pensemos
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