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Artigo
18/02/2008

Suicídio de Adolescentes Internautas

Marcus De Mario
marcusdemario@educacaomoral.org

Pessoas anônimas, encobertas pela não identificação oferecida pela internet, utilizam sites, blogs e salas de bate-papo para induzir adolescentes ao suicídio, no mundo todo. Desde 2001 algumas organizações vêm investigando esse "centro de valorização da morte", constatando que somente no Japão, no ano de 2005, 91 pessoas, a maioria entre 20 e 30 anos, suicidaram-se estimuladas por sites na internet.

No Brasil repercutiu o suicídio cometido pelo jovem Vinicius, de 16 anos, em julho de 2006, que premeditou sua morte conforme instruções recebidas pela internet, filmando sua agonia e transmitindo suas últimas impressões numa sala de bate-papo. Somente uma internauta, estudante canadense, agiu em favor da vida, acionando a polícia de seu país, que entrou em contato com a polícia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas já era tarde.

E não são apenas suicídios individuais. Incentiva-se também o suicídio coletivo, com casos registrados no País de Gales e no Japão, sempre envolvendo adolescentes e jovens de até 26 anos.

Esses jovens alegam desilusão com a vida, fracasso escolar, deslocamento social, depressão, desestrutura familiar, para procurar o suicídio como solução. E, ao invés de encontrarem incentivo à vida, orientação segura, encontram pessoas que as induzem a fugir da vida. São pessoas covardes, porque se escondem no anonimato, e assassinas, porque ensinam o outro a se matar e o incentivam a esse ato.

Não, o ato do suicídio não é solução. A maior coragem que uma pessoa pode demonstrar a si mesma e aos outros é o enfrentamento das questões a resolver. É não fugir. É não provocar dores e sofrimentos naqueles que a amam. Tudo na vida tem solução!

Muitas pessoas, de modo precipitado, condenam a internet, como se ela fosse a culpada por esses acontecimentos. Não é. A internet é um instrumento de comunicação e de ensino, e, como todo instrumento, é neutra, depende do uso que fazemos dela. Somos nós, os homens, os culpados, pois podemos fazer da internet um instrumento positivo, educativo, ou não.

E o que estamos fazendo na escola para atender pais e alunos no que concerne a orientação para melhor viver? Muitos desses jovens são inteligentes, possuem uma vida sem problemas financeiros, mas carregam um vazio existencial que não vislumbra objetivos a serem alcançados. É por isso que sempre defendemos a implantação da educação moral, única força capaz de combater o mal pela raiz e entregar ao homem esses objetivos que o consumismo e o capitalismo não oferecem.

Que as autoridades públicas iniciem programas de rastreamento dos incentivadores anônimos do suicídio, para que respondam criminalmente, assim como façam sair esses sites da internet. E que reforçem os programas escolares a favor da vida, entregando aos jovens e a seus pais orientação para desenvolvimento do senso moral e fortalecimento do caráter para melhor enfrentamento dos dilemas do viver consigo mesmo e com os outros.

Vamos implantar a solução ou vamos fugir do problema como fazem esses adolescentes que adotam o suicídio?

Pensemos nisso!

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