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Artigo Ensinando sem Educar Marcus
De Mario Leio em reportagem publicada por uma revista sobre o crescimento dos sistemas de ensino particulares, que agora fazem convênios também com secretarias de educação, e não apenas com colégios particulares, estarrecendo-me com a afirmação de diretor de um desses sistemas ao afirmar a meta prioritária para preparação dos alunos para o vestibular, com as seguintes palavras: "Também temos a preocupação de oferecer outras reflexões, mas o vestibular é um item básico no sistema de ensino, não dá para se iludir. Temos de estar focados nisso" Assim, pobre educação que vê a ética, a cidadania, a responsabilidade social, a formação do caráter, o estímulo aos sentimentos, os valores, a psicologia do desenvolvimento e tudo o mais que faz verdadeiramente a educação, colocadas em segundo plano, a meio mastro, pois a bandeira é a preparação dos jovens para as provas vestibulares. Dá-nos conta a reportagem que o mercado dos sistemas de ensino está superaquecido. Um afirma possuir 300 escolas conveniadas, outro fala em 750 escolas conveniadas (200 públicas). O maior sistema de ensino afirma ter 2.900 escolas utilizando seu material didático. São apostilas preparadas por professores profissionais do livro didático, muitos deles ganhando comissão sobre vendas. E todos os sistemas de ensino, grupos comerciais muito bem montados, apostam no uso cada vez maior da tecnologia da informação, como se sinônimo de ensino de qualidade fosse a somatória de salas de aulas "modernas" com apostilas de conteúdo enxuto e graficamente bem elaboradas. Ensinar, com qualidade, é isso? Responderão que sim, acenando com os resultados positivos: primeiro lugar no concurso da faculdade tal, segundo lugar no concurso público tal, e assim por diante, como se domesticação para vestibular e outros concursos pudesse ser considerado como parâmetro decente de avaliação da qualidade do ensino. Diante da comercialização do ensino nas escolas particulares, do show business dos preparatórios para vestibular e concursos, e agora diante da invasão desses sistemas no ensino público, o que podemos fazer, os que ainda lutamos pela educação? Chorar, talvez? Prefiro continuar a luta, mesmo sendo classificado como um Dom Quixote. Não importa, acredito na educação moral e disso não abro mão. Querem transformar a educação em ensino, e o ensino em "nicho de mercado". Banalizam os valores educacionais e depois se surpreendem com os graves desvios sociais, fazendo muito barulho por mais segurança pública. Vou continuar meu grito de alerta, espalhando ideais mais profundos, semeando, pouco a pouco, nos corações e mentes, que a educação não pode ser confundida com o ensino, e que a educação deve ser compreendida como formadora moral do ser. Temos de estar focados nisso. Não dá para se iludir. Vestibular, livro didático, sistemas de ensino, provas, notas, academicismos... Representam, de fato, o mal. Utilizemos todos os esforços em combatê-los. Pensemos
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