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Artigo Direitos Humanos Marcus
De Mario Desde o início da década de 90 temos ouvido das autoridades públicas e dos responsáveis pela educação, em todos os níveis, discurso sobre cidadania e intervenções sócio-esportivas nas chamadas comunidades - antigas favelas - dos grandes centros urbanos. E assistimos o surgimento de organizações não governamentais e projetos públicos trabalhando formação cidadã através do esporte, da dança, da música e da distribuição de renda. Tudo isso em nome dos direitos humanos, da justiça social, da igualdade de oportunidades, da formação de consciências. Na contramão dessa corrente de idéias e ações, assistimos a aplicação cada vez maior de verbas na segurança pública, fomentando operações militares - verdadeira guerra civil urbana - sobre as comunidades; vemos acordos acontecendo para encobrir a corrupção; hospitais públicos deteriorados e escolas sem os equipamentos mínimos, além do professorado da rede básica não ganhar um salário digno. Entretanto, há exatos 59 anos a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde lemos, no artigo 1º: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade". Ainda estamos longe do entendimento e da aplicação das três idéias básicas apresentadas nesse artigo da Declaração. Todos somos livres e iguais - Contudo, preconceitos e discriminações avassalam a humanidade, desde o nascimento da criança. Separamos por cor da pele; distinguimos por origem social. E isso fazemos tanto na família quanto na escola, originando desigualdades, falta de oportunidades e distorções nas instituições sociais. A liberdade e igualdade devem ser entendidas no âmbito de todo homem poder viver com dignidade e com os mesmos direitos. Trabalhamos isso na escola? Se o fazemos, de que forma estamos fazendo? Conceituamos isso na família? E se o fazemos, com que exemplos? Temos razão e consciência - Sim, todo ser humano pensa, raciocina, escolhe, possui consciência de si, de seus atos e da vida. Mas, em que nível? E deixamos que ele, através da educação, consiga elevar o seu nível de consciência, de agir livremente e, ao mesmo tempo, com responsabilidade? Ao estar alfabetizado e acumulando saberes, estará o homem apto para agir de acordo com a ética? Será um verdadeiro cidadão, preocupado moralmente consigo e com o outro? Espírito de fraternidade - Significa que na ação social o homem deve ser solidário, deve saber colocar em prática a regra de ouro da educação: fazer ao outro somente o que quer que o outro lhe faça. Essa regra está presente no pensamento e nas ações educativas? É prioridade nas escolas? Está em primeiro plano na família? Ou será que, durante ainda muito tempo, consideraremos isso como uma questão de dscussão filosófica, ou de domínio das religiões? Quanta coisa num único parágrafo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Declaração que só será manifesta na vida se incorporada pela educação. Não em projetos cíclicos, pois estamos falando de fusão com a base da educação, com todo o edifício que faz a educação do homem desde o berço. Não é possível fazer da Declaração Universal dos Direitos do Homem uma realidade enquanto não entendermos que somente a educação pode implantá-la na razão, na consciência e no coração dos homens. E não estamos falando de uma educação reduzida a ensino de conhecimentos e preparação profissional. Essa educação não fará do homem um ser solidário, ético, cidadão. Que adianta a formação esportiva se, como atleta, o homem transgredirá as regras? Se continuará a realizar todos os esforços belos ganhos salariais, patrimoniais e sociais, com pouco ou nenhum esforço para os ganhos morais e espirituais, que são valores reais e imperecíveis? Pensemos
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