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Artigo
03/12/2007

A Pré-Escola e a Família

Marcus De Mario
marcusdemario@educacaomoral.org

Capitaneada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), uma intensa campanha pela matrícula de crianças de 0 a 3 anos na pré-escola está em andamento no mundo, e o Brasil não foge a esse chamado, preocupado que está com as estatísticas do número de crianças matriculadas na escola, incluindo aqui creches, escolas maternais e os antigos jardins de infância, ou seja, a pré-escola.

A Unesco e os governos das nações querem ver as crianças na escola o mais cedo possível, o que gera uma discussão muito importante: e o convívio familiar com os pais, avós, irmãos? E o papel educacional reservado aos pais? Será que a criança, desde tenra idade deslocada para uma escola, não sofrerá perdas emocionais? O assunto é controverso. Há psicólogos que defendem que a mãe deveria ficar em casa com seus filhos até eles completarem 3 anos. Segundo esses psicólogos as crianças nessa faixa etária precisam muito mais de amor e carinho do que brincadeiras com gente estranha.

A favor da campanha está o fato da sociedade moderna praticamente exigir a participação profissional da mulher nas instituições sociais, deslocando o eixo da sua atenção do lar para o mercado de trabalho, o que gera novas demandas, como a de colocar seu filho numa creche. É, sem dúvida, uma realidade, principalmente nos países mais desenvolvidos, entretanto, não podemos encontrar um ponto de equilíbrio entre a maternidade/paternidade e o trabalho profissional?

Família e escola precisam se entender. Precisam integrar, ou melhor, fundir suas ações em harmonia, pois tanto uma como outra possuem relevante valor na educação.

Para a consecução da educação moral do ser não há como abrir mão da família, do convívio no lar, da troca de afetos entre pais e filhos, da influência dos exemplos domésticos, e, acima de tudo, não há como abrir mão da energia do amor que entrelaça as almas dos pais com as dos filhos.

Mesmo diante das exigências modernas da sociedade, podem os pais conciliar os diversos interesses e colocar como proridade a convivência com os filhos. Não podemos nos deixar levar pela corrida do conhecimento, pela conquista dos saberes. O homem desumanizado não é um verdadeiro homem.

As creches são necessárias, mas daí a serem indispensáveis e para todas as crianças, há um abismo de diferença. É preciso repensar o assunto para ressignificar a família e sua importância na educação infantil.

Por mais amor e dedicação que os profissionais da pré-escola tenham, não podem substituir o aconchego, a solicitude e o carinho dos pais, que, por sua vez, devem entender que matricular seu filho numa creche não é solução para as questões da vida.

Se você tiver necessidade de utilizar uma creche, lembre-se que, em todas as oportunidades de convívio com seu filho, ele deve sentir o amor que você tem por ele, e você deve reservar todos os espaços possíveis, e todo o tempo possível, para brincar, dialogar, passear, acariciar e desenvolver tarefas em conjunto. É seu filho, não é mesmo?

Pensemos nisso.

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