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Artigo
19/11/2007

Os Fins em Educação

Marcus De Mario
marcusdemario@educacaomoral.org

Toda atividade realizada sem objetivos estabelecidos pode se perder no meio do caminho. Antes de uma tarefa ser iniciada é preciso saber:
1. Porque ela será realizada; e
2. Para que fim os esforços serão feitos.
Do contrário ela poderá se tornar inútil ou improdutiva, sem alcançar o que se pretende.

Quem administra sabe muito bem que planejamento, organização e método são essenciais para se obter bons resultados, e em educação isso não é diferente, pelo contrário, é mesmo fundamental, porque um educador só pode educar se souber para que está educando, ou seja, a educação só pode ter resultados positivos e profundos se estiver direcionada por uma filosofia que lhe dê as diretrizes pedagógicas. Fora disso é brincar de ensinar.

Perguntemos a um professor: "Por que você educa?" Ele dificilmente sairá de uma resposta que vá além do ensinar, porque desconhece até mesmo o que é uma filosofia de educação. E se lhe for perguntado: "Qual é a filosofia educacional da escola que você leciona?" Também será difícil responder, porque o salário e as condições de apoio, leia-se técnicas e recursos, é que preponderam na escolha de onde se vai trabalhar para ensinar.

Não podemos falar em educar porque existe uma grande diferença entre o educar e o ensinar. Educar é extrair do educando tudo aquilo que ele traz em si mesmo, na forma de potência, fazendo com que ele se revele através do que possui, exercitando a conquista de si mesmo e do conhecimento. Para educar precisamos ter educadores, ou seja, pessoas conscientes que sua atuação é de orientador, estimulador, com muito amor pela tarefa da educação e com sensibilidade para saber trabalhar as diferenças apresentadas pelos educandos. Todo educador é um estudioso da pedagogia. Ensinar é transmitir conhecimentos de fora para dentro, no que a maioria dos professores se especializou, muitas vezes em choque com a realidade psicológica do educando e utilizando métodos dissociados de uma educação bem orientada. Para ensinar basta termos um professor, onde o mais importante é apresentar o diploma de formação e garantir o emprego, com honrosas exceções que nos remetem à categoria do educador.

Professor, não se limite a cumprir um currículo dando aulas dentro de uma sala de aula. Seja, acima de tudo, um educador. Preocupe-se em ficar sempre atualizado. Respeite os estágios de desenvolvimento psicológico do educando. Integre-se na escola e saiba porque você educa. Para isso, procure inteirar-se da filosofia que rege o sistema educacional, a escola e o currículo.

Depois das experiências da chamada escola psicológica da educação, entre o final do século XIX e início do século XX, tivemos um acentuado predomínio das correntes de pensamento materialista na educação, que a partir da década de setenta tomou como base as bem sucedidas investigações e experiências sobre o desenvolvimento da inteligência, com uma sucessão de metodologias de ensino tomadas de empréstimo dessas pesquisas.

O homem, visto a partir dos estágios sensórios-motores predominou, e a psicologia, que significa estudo da alma, retirou a alma de suas cogitações, tudo encerrando no capítulo da mente física, dos mecanismos explicados sempre de forma a fechar questão no organismo biológico. As organizações mundiais ligadas à educação, e os próprios governos das nações, ficaram absorvidas pelas estatísticas e índices, medindo a cultura pelo analfabetismo existente, ou pela percentagem anual do orçamento destinado à educação, o que normalmente significa verba para construir prédios escolares, distribuir livros didáticos, oferecer merenda às crianças carentes, contratar professores. Em toda parte a filosofia de trabalho é o materialismo, mesmo que disfarçado sob algum outro nome, com a preocupação centrada na inteligência e na aquisição do saber. Os sentimentos e a moral estão fora da filosofia materialista da educação. Pensadores como John Locke ou educadores como Pestalozzi estão fora das cogitações do trabalho educacional, porque eles priorizavam a moral. Entretanto, as teorias e o trabalho desses pensadores e educadores, famosos ou não, possuem resultados positivos na formação do caráter do educando, o que nunca a filosofia materialista conseguiu.

Como se pode combater a violência apenas com indivíduos dotados de inteligência, mas sem senso moral? Como falar de direitos da cidadania para indivíduos com o caráter corrompido? Como corrigir os vícios da sociedade com uma educação que não trabalha a auto-educação, que não estimula a conquista de virtudes? Como pode uma filosofia de falsos valores comandar a educação, entregando na corrente social gerações despreparadas para uma vida de valores morais?

Para corrigirmos os rumos e as falhas da educação é preciso reformularmos a filosofia que comanda essa educação, por isso propomos a adoção de uma filosofia espiritualizante. Não se trata de copiarmos modelos místicos-religiosos, os quais respeitamos, trata-se de termos uma filosofia que considere o ser humano dotado de alma, o seu componente além do corpo físico, sua essência, onde a moral, a formação do caráter, tem mais importância que a formação intelectual, sem desprezá-la, mas orientando-a. Essa filosofia possui a força de provocar a renovação individual porque dá ao homem um novo destino, modificando sua maneira de encarar a vida. A ética, os valores, a justiça, o direito e tudo o que é ligado às virtudes, passam a ter lógica, razão de ser. Essa filosofia da educação transforma o mundo a partir da transformação do indivíduo. A questão fundamental não está em construirmos escolas e no número de vagas para abranger todos os educandos, mas está toda na filosofia da educação que adotamos. Ela dirá o tipo de adulto queremos sejam as crianças.

Pensemos nisso.

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