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Artigo
08/10/2007

Construindo o Essencial

Marcus De Mario
marcusdemario@educacaomoral.org

A construção de relacionamentos deveria ser o trabalho principal da escola, a preocupação essencial do professor, permitindo que os alunos - e não importa a faixa etária - construam por si mesmos, na interação com o outro, o prazer da relação interpessoal.

A escola deve ser espaço de convivência. De seres humanos, que são seres relacionais, sociais.

Infelizmente o que encontramos na escola é uma demasiada preocupação com o conteúdo. Encontros para discutir plano de curso, de unidade, de aula, conteúdos programáticos e métodos absorvem as preocupações e o tempo, e o ser humano sequer é lembrado.

Nem mesmo o professor, que é ser humano, tem espaço para conviver, como ser humano, com seus colegas, pois a escola exige cumprimento da carga horária, da aplicação dos conteúdos das disciplinas curriculares, e outras exigências, desconsiderando que, enquanto ser humano, o professor também traz consigo mágoas, frustrações, questões pessoais a resolver, como qualquer pessoa.

Professor que não tem espaço para conviver com seus colegas, em plena escola, não terá espaço para construir relações mais prazerosas e profundas com seus alunos. É exatamente o que acontece hoje em dia.

Como termos uma sociedade sadia se não há construção de relacionamentos no espaço que deveria fomentar pedagogicamente esses relacionamentos? O espaço de convivência escola deve ser um complemento, mesmo uma extensão, do espaço de convivência família, espaços esses que devem se interpenetrar.

Na construção de relacionamentos não podemos esquecer que a melhor convivência é aquela construída pela compreensão e vivência do amor.

O amor compreende, e isso é muito importante, pois cada ser humano é uma individualidade sem igual. Não há como conviver com as diferenças se os laços sociais não estão construídos no amor.

Que a escola abra espaço para a convivência humana dos professores entre si, com os demais funcionários, com os alunos e com os pais e responsáveis. Sejam as reuniões menos formais, permitindo que a humanização transforme os seres humanos, a escola e a educação.

Professor que não vivencia o amor, que não se relaciona além do profisional com seus colegas, que não abre espaço para conversar com seus alunos, que não conhece os pais e responsáveis, está fadado a ser um professor frio, burocrático e sem perspectivas.

Pensemos nisso.

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