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Artigo Residência Pedagógica Marcus
De Mario A formação do professor no ensino superior requer maior qualidade no trabalho realizado pelas faculdades de pedagogia, que estão bem mais ligadas ao ensino teórico do que à atividade prática. E proliferam nesse sistema as cópias xerox, as apostilas, a montagem de monografias no copia/cola, e o estágio supervisionado que é realizado burocraticamente no final do curso. É claro que assim não temos a formação de bons professores para o trabalho em sala de aula. Cresce, então, uma nova proposta: a criação da residência pedagógica em substituição ao atual estágio. Além dos quatro anos de graduação do curso - que infelizmente tem sido realizado em muitas faculdades em apenas três anos - o aluno teria de fazer mais um tempo de residência numa escola, como fazem os alunos de medicina, e só após a residência o curso estará concluído, com direito ao certificado. Em tese é uma boa proposta, vinculando o ensino teórico a uma verdadeira prática pedagógica em contato com a realidade escolar. A questão a ser debatida é como isso será implantado, como escolas e universidades vão se preparar para o novo sistema, quais serão as diretrizes básicas e qual será o tempo necessário para acomodação do sistema a essas novas diretrizes. Se as autoridades decretarem por lei a residência pedagógica sem uma ampla discussão com as universidades, escolas e professores, impondo o novo sistema já a partir do próximo ano letivo, mil problemas surgirão e a proposta pode esbarrar em dificuldades sérias. Que as autoridades públicas da educação não percam esta oportunidade de diálogo. Uma dificuldade é fazer com que a residência não se transforme num simples estágio ampliado, ou seja, que repita o que hoje acontece, só que com outro nome, ficando a proposta bonita no papel, mas sem efeito na prática. Cremos que seria bem melhor se as universidades mantivessem convênios com escolas públicas e particulares, que seriam como colégios de aplicação, onde os futuros professores e pedagogos trabalhariam, com ou sem remununeração, durante todo o tempo do curso, ou a partir do terceiro período, interagindo com os sistemas de ensino, a gestão escolar, os professores mais experientes, a realidade da sala de aula nos diversos segmentos de ensino, podendo preparar-se conscientemente, tendo oportunidade de estabelecer correlações entre o ensino e a prática pedagógica. Seja qual for o modelo adotado, ele será sempre dependente da filosofia que rege a educação e os valores que consideramos formadores dessa educação, e este debate é bem mais importante do que a discussão sobre estágio ou residência. Mudando a parte final do curso de pedagogia, sem mudar sua filosofia, seu conteúdo, sua estrutura, será a residência pedagógica solução para melhor qualidade na formação do professor? A grande questão, voltamos a repetir, está na filosofia da educação, hoje conteudista, pragmática e corporativista, onde valores humanos, virtudes, ética, cidadania, amor, espiritualidade não têm vez, não são considerados básicos e essenciais, ou quando o são não vão além do discurso. Presenciamos uma corrida emergencial para minimizar os efeitos de uma política - e de uma filosofia - de educação, desviada da essência do educar, do formar, deixando as causas intactas, e assim vamos criando remendos que não resistem muito tempo diante da realidade. Hoje ensinamos muitas coisas - e nem sempre ensinamos bem - e não nos perguntamos da validade desse ensino, se os conteúdos e como são ensinados, terão alguma utilidade prática. É queixa comum dos professores recém formados não se sentirem habilitados para o trabalho com crianças e adolescentes na escola, não sabendo como utilizar o que aprenderam durante o curso superior, e, mais grave, desconhecendo muitas coisas que o magistério cotidiano exige. Queremos remédios para os problemas da educação, mas não queremos fazer o tratamento necessário que eliminaria as causas desses problemas. Amor, ética, espiritualidade é do que estamos necessitados na educação. Pensemos
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