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Artigo
07/02/2011

Bom dia, Seja Bem-Vindo!

Marcus De Mario

Manhã de dia ensolarado e as crianças pequenas, mãos dadas a suas mães, pais ou avós, encaminham-se para a escola pública, em bairro de periferia de grande cidade. É a volta às aulas depois de merecidas férias. O sinal já tocou, estridente, anunciando o horário de entrada, e as professoras estão postadas no portão de entrada para receber as crianças que formam as turmas do jardim, certamente em atitude combinada na reunião pedagógica, pois é de bom alvitre que a recepção no primeiro dia escolar seja prazerosa e motivadora.

As professoras conversam entre si, e destaca-se uma dupla mais animada, colocando em dia as novidades. E uma criança aproxima-se, trazida pelo pai. Uma das professoras cutuca a outra. É preciso parar a conversação e recepcionar a aluna, menina com uniforme impecável e cara de sono, reflexo da obrigação de ter de levantar cedo para ir à escola.

Então a outra professora, sua colega, coloca um sorriso na face e, com a criança ainda atravessando a rua sob a proteção do pai, grita: "Como é seu nome?". A menina, assustada, não responde, e a professora insiste: "Não tem nome? Perdeu a língua?". E a menina chega perto. Aluna e pai estão calados. A professora pega a mão da criança e diz, sempre em voz alta - coitado dos ouvidos - "Pode entrar, depois eu levo para a sala". E ignora a presença do pai, passando a recepcionar, do mesmo jeito, outras crianças.

A ideia da recepção é boa, mas a maneira como foi desenvolvida, não.

Pais e responsáveis ignorados, crianças desrespeitadas, enfado e deseducação por parte da professora que, é o que podemos inferir, gostaria de não ter de fazer esse papel "ridículo" de "aturar" os pais no portão e ter de sorrir para aquelas crianças que, provavelmente, só lhe darão muita dor de cabeça ao longo do ano.

É o que pensam muitas professoras da educação infantil e do ensino fundamental, e não apenas das escolas públicas, pois que nas escolas particulares também assistimos cenas lamentáveis, até piores do que esta que acabamos de descrever.

Voltemos á ideia da recepção no portão de acesso da escola. Excelente ideia, pois permite aproximação afetiva entre professores, pais e alunos. É momento enriquecedor das relações, desde que feito com prazer, com visão pedagógica.

Apresentar-se, abraçar a criança, entabular um diálogo rápido com o responsável. É o que deve acontecer, tornando o ambiente escolar acolhedor, quebrando resistências naturais e passando aos pais, e seus filhos, uma sensação de conforto e confiança muito importantes para o sucesso do programa educacional que será desenvolvido.

Além de combinar na reunião pedagógica a realização da recepção, deve o responsável capacitar as professoras para essa tarefa, para que não seja executada de forma bruta, fria, indiferente, como se ali estivessem apenas para obedecer uma resolução, ou seja, apenas para cumprir uma obrigação, muita "chata" por sinal.

Ser professor/a é mais do que dar aulas. É desenvolver a arte de capacitar, aprendendo e reaprendendo constantemente, educando-se para educar, e isso exige sair de zonas de conforto egoístas, verdadeiras ilhas, para criar zonas de conforto afetivas onde todos têm vez.

Quando aprendermos essas coisas, a escola será um paraíso, e não esse "inferno" que todos descrevem e do qual as crianças e jovens fogem desesperadamente.

Pensemos nisso!

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