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Artigo A Intenção é Boa, Mas ... Marcus De Mario O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que determina a instalação de bibliotecas em todas as instituições de ensino do país, incluindo públicas e privadas. De acordo com o texto, publicado no "Diário Oficial" da União, cada biblioteca deve ter, no mínimo, um título para cada aluno matriculado.A organização, a manutenção e o funcionamento desses novos espaços devem ser definidos pelas instituições. Ainda segundo a publicação oficial, as bibliotecas escolares devem contar com "coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura". O prazo máximo para a instalação dessas bibliotecas é de dez anos. Bem, os dados oficias indicam que mais de 20% dos municípios brasileiros não possuem uma biblioteca púbica. Agora, como essa lei vai ser implementada? Temos bibliotecários em número suficiente? As escolas possuem espaço físico adequado? Os professores estão habilitados e habituados a trabalhar com a literatura? A ideia é boa e merece apoio, mas entre a ideia e sua prática há um abismo de diferença. Será que essa lei vai "pegar"? Segundo dados levantados pelo movimento Educação para Todos, com base no Censo da Educação Básica de 2008, para cumprir a meta o governo terá de construir 25 bibliotecas por dia até 2020, ou seja, é quase impossível fazer o que a lei determina. Faltam 93 mil bibliotecas no ensino fundamental, sendo 89,7 mil em escolas públicas e 3,9 mil em escolas particulares. Na educação infantil, somente 30% das escolas têm acervo. No ensino médio o nímero de escolas sem biblioteca chega a 3.471. Outro problema identificado pelo estudo é a falta de profissionais habilitados para administrar as bibliotecas, ou seja, não temos bibliotecários, mas a lei diz que as bibliotecas nas escolas têm que ser administradas por eles. Tudo indica qque o governo federal não conseguirá cumprir a própria lei que criou e sancionou, e isso porque, mais uma vez, a legislação vem de cima para baixo, dos gabinetes para a realidade, e como não houve participação dos responsáveis diretos pela educação, diretores e professores das escolas, a lei só é bonita no papel, repleta de boas intenções, mas sem nenhum respaldo no cotidiano das escolas brasileiras. E agora? Bem, ou a lei será esquecida, ou será implementada a trancos e barrancos. As duas alternativas são prejudiciais ao ser humano em formação. Implantar bibliotecas escolares exige o início e a sequência de um projeto bem articulado, envolvendo formação de bibliotecários, capacitação de professores, adequação do espaço físico das escolas, instalação de equipamentos, envolvimento dos alunos e seus pais, convênios com editoras, entyre outras medidas que precisanm ser bem articuladas, e não é em exíguos dez anos que faremos esse verdadeiro "milagre". Que livros, outras mídias e biblioteca são importantes para o bom desenvolvimento dos educandos, não se discute, estamos mesmo muito longe do trabalho já realizado nessa área, por outros países, e sabemos que ler, escrever, raciocinar, criar, sonhar passam pela literatura, pois biblioteca não é apenas sinônimo de lugar para pesquisar. A biblioteca precisa ser viva, ou seja, trazer em seu projeto, seu espaço e sua prática, a contação de histórias, o manuseio dos livros e mídias sem cerceamento, a dramatização de textos, o fazer por si mesmo dos educandos que passam a conviver com seu espaço e conteúdo. A biblioteca deve representar um mundo prazeroso, mágico e que permita o vôo da alma. Apoiamos a intenção da lei, que é boa, mas será que compreendemos seu espírito? Pensemos nisso! Para ler todos os artigos de Marcus De Mario clique aqui. |
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