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Artigo
31/07/2006

A Alma da Educação

Marcus De Mario

Conta-se que no antigo oriente, em data que se perde na história da humanidade, um velho professor encontrava-se no terraço de sua residência, em plena noite estrelada, contemplando a imensidão do céu. Parecia ao mesmo tempo reverenciar e admirar aquela negritude pontilhada de astros luminosos.

Em silêncio, seu filho, um jovem mediando os vinte anos de idade, aproximou-se e passou também a contemplar o céu. Em dado instante indagou ao pai:

"Pai, o que existirá onde meus olhos nada enxergam?".

O velho professor, procurando palavras em sua longa experiência de vida, respondeu:

"O pensamento do criador, meu filho, é isso que lá está".

O jvem não entendeu a resposta e tornou a indagar:

"Mas, pai, como posso enxergar com meus olhos o pensamento do criador?"

E o velho professor, acumulando rica sabedoria interior, explicou:

"Meu filho, como você quer enxergar com os olhos o que só pode ser sentido pela alma?"

E acrescentou:

"Assim também tudo o que fazemos pelo bem daqueles de quem somos responsáveis, nossos filhos e nossos alunos, pois eles não podem enxergar a beleza e profundidade da vida nas páginas de um livro, e sim sentir nas proffundezas de sua alma".

E o céu continuou estrelado, e pai e filho continuaram, em silência, sua admiração e reverência.

Essa história serve bem para repensarmos a educação, pois não é com os olhos da instrução que entenderemos a vida e prepararemos nossos filhos e alunos para ela, e sim será com os sentidos da alma que conseguiremos formá-los para essa vida que não nos pertence, mas nos é dada por Deus, o grande esquecido dos conteúdos curriculares e dos procedimentos pedagógicos.

E como admirar e reverenciar a vida, se não sensibilizamos nossos próprios sentimentos, e não projetamos, para nós mesmos, ideais maiores a serem conquistados?

Pensemos nisso, antes de, amanhã, entramos na sala de aula para mais um dia de trabalho.

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