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Artigo O Milagre da Educação Marcus De Mario É comum em reuniões pedagógicas e encontros de professores, principalmente em iníco de ano letivo, quando os professores tomam contato com suas novas turmas e iniciam o planejamento, ouvirmos uma ou mais falas sobre o aluno-problema e o que fazer com ele, ainda mais se já é um aluno conhecido, vindo de outro ciclo de ensino. E os professores olham para o coordenador pedagógico, um olhar de súplica, a dizer: "Meu Deus, ele vai ficar comigo o ano todo, o que eu faço?". E esperam que a coordenação pedagógica apresente uma fórmula mágica, invariável, pois deve servir para todo aluno-problema, que dê um jeito nessa criança ou jovem. Que, preferencilamente, o torne um "santo", um aluno calmo e partcipativo (não muito, para não atrapalhar). É o milagre da educação que, para desapontamento e desencanto dos professores, não existe. Então pedimos aos professores uma mudança no discurso. Não existe o aluno-problema, isso é um rótulo. Existe o aluno que carrega carências as mais variadas, que traz energia de sobra e mal canalizada, que demonstra agressividade, etc, mas tudo isso a educação resolve. Resolve, sim, ao longo de um processo que requer tempo, dedicação, criatividade, dinamismo, afeto, tudo isso por parte do professor. Requer pesquisa, integração com os demais profissionais da educação, com a família do aluno, e isso é trabalho do professor. Requer manter acesa a luz da esperança, da crença que é possível a transformação. E o que as pesquisas têm demonstrado é que, na sala de aula, o que mais existe é professor-problema. Professor que não quer ter trabalho. Que não está nem aí se o aluno quer ou não aprender. Que sistematiza uma forma de ensinar e não sai dessa zona de conforto. Que rotula os alunos e descrê das suas capacidades e possibilidades. Que não trabalha a didática e a prática de ensino, entediando e aborrecendo os alunos. Que não sabe nem o que está fazendo na escola - isso pode parecer absurdo, mas é verdade! A educação não é uma mágica e não faz milagre. É um processo que requer o desenvolvimento constante do educador, para que esse desenvolvimento constante contagie o educando. Ao despertar da manhã e iniciar os preparativos para mais um dia de trabalho educacional, o professor deve respirar fundo, olhar para o céu e dizer a si mesmo: "Este será o melhor dia que vamos ter!". Sim, o professor e seus alunos, e seus colegas, e os pais dos seus alunos. E chegar na escola com um sorriso no rosto, esbanjando alegria e contagiando todos para um dia em que ensinos serão saboreados, descobertas serão realizadas, construções morais e cognitivas serão desdobradas. A educação será música fazendo vibrar a alma. Rótulos, pré-conceitos, desesperanças, tudo será engavetado e trancado a chaves, e nunca mais será tormenta ameaçadora no céu da sala de aula. Bem, isso acontecendo, assistiremos a um verdadeiro "milagre": renovação do ensino, da escola e, como consequência, transformação da educação. Porque, na verdade, também não existe o professor-problema. É, igualmente, um rótulo. Precisamos saber tocar as pessoas, ou seja, sensibilizá-las, despertá-las e conscientizá-las. É também um processo, não se faz de um dia para outro, mas é possível, e todo diretor escolar, todo coordenador pedagógica deve acreditar nisso e trabalhar por isso. É outro componente da fórmula "mágica" do "milagre" da educação. E o professor estará no portão de entrada da escola, no meio do pátio, na porta da sala de aula, no corredor de acesso, com olhar brilhante, braços estendidos e coração aberto, recebendo cada aluno. E, um por um, eles terão o olhar brilhante, os braços estendidos e o coração aberto para as maravilhas da educação. Então a escola será maravilhosa, e o fim de semana vai trazer un aperto no peito, da saudade que será saciada na segunda-feira, quando o olhar "mágico" do professor fizer o "milagre" de transformar o olhar do aluno sobre si mesmo e a vida. Pensemos
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