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Artigo
07/12/2009

Pausa para Pensar sobre o Professor

Marcus De Mario

Um pensador pouco conhecido dos pedagogos será nosso orientador nestas linhas reflexivas sobre o professor. Trata-se de Krishnamurti (1895-1986), considerado um grande mestre espiritualista e que muito trabalhou pela educação, realizando palestras em dezenas de países, além de ter sido fecundo escritor. Ele não esteve ligado a nehuma religião, e nunca defendeu qualquer religião. Sua tese sempre foi a da espiritualização do ser, e que a educação deveria propiciar ao homem um encontro com sua própria espiritualidade, ou sua essência. De uma sua entrevista sobre tema tão vasto e profundo, tiramos alguns conceitos para análise.

Diz Krishnamurti: "O mestre perfeito, certamente, é aquele que não pede nada para si mesmo, que não está preso na política, no poder, em posições, não pede nada para si mesmo, que não está preso na política, no poder, em posições, não pede nada para si mesmo porque interiormente é rico".

Na atualidade vemos professores agarrados a ideologias, a visões político-partidárias, ou vazios de si mesmos, quando deveriam ser ricos interiormente, ou seja, quando deveriam estar cientes de sua grande missão, da grandeza do ato de educar, do valor imperecível do amor. Estar interiormente rico é resultado de autoconhecimento e experiência, tendo à frente objetivos claros e crença inabalável na educação.

Diz ainda nosso pensador hindu:

"Certamente o professor não é um simples distribuidor de informação; o professor é alguém que aponta o caminho para a sabedoria. E aquele que aponta o caminho para a sabedoria não é o guru. A verdade é muito mais importante que o professor; portanto quem está em busca da verdade deve ser simultaneamente estudante e professor".

Que belas palavras! Entretanto, numa escola preocupada com transmissão de conteúdos e formação para concurso e mercado de trabalho, são palavras sem ressonância. Mas infeliz é o professor que não passa de um distribuidor de informações. E infeliz é o aluno que não consegue, com esse professor, saborear o conhecimento e alcançar a sabedoria. Pobre professor parado no tempo, apenas atualizando conhecimentos, como se o diploma de grau superior fosse ponto culminante do aprendizado. Todo professor deve ser eterno educando, aprendendo que só pode aprender quem estiver estimulado para o aprendizado. Essa é sua função: estimular, facilitar, orientar, seduzir.

E fala ainda Krishnamurti:

"Em outras palavras você deve ser o perfeito professor para criar uma nova sociedade e para engendrar o perfeito professor você deve compreender a si mesmo. A sabedoria começa com o autoconhecimento e sem autoconhecimento a mera informação leva à destruição. Sem autoconhecimento o avião torna-se o mais destrutivo instrumento da vida, mas com autoconhecimento é um meio de ajuda humana. Assim o professor deve ser alguém que não está preso nas garras da sociedade, não joga o jogo do poder dos políticos, não procura posição ou autoridade. Ele descobriu em si mesmo aquilo que é eterno e por isso é capaz de compartilhar este conhecimento que ajudará outro a descobrir seus próprios meios de iluminação".

Você é esse perfeito professor? Está realizando o autoconhecimento? Está preocupado e agindo para que seus alunos descubram o próprio caminho para o autoconhecimento?

E finalizamos nossas transcrições com este pensamento:

"A educação só pode ser transformada educando o educador e não meramente criando um novo padrão, um novo sistema de ação"

É o que temos insistentemente falado. Se o professor não é re-educado, não é re-capacitado, continuamente, se sua mentalidade não é transformada, revolucionada, de nada adianta a troca de metodologia ou a criação de um novo sistema de ensino. Educar o educador é fundamental para a transformação da estrutura social e das culturas que permeiam o viver humano. Se os valores continuam os mesmos, apenas maquiados com nova roupagem, a educação será a mesma.

Uma mudança nos cursos de formação de professores, em nívem médio e superior, é urgente. A implantação de uma filosofia espiritualizante que coloque a espiritualização do ser e seu autoconhecimento como prioridades, é fundamental para que eduquemos a nova geração para um mundo melhor, transformado e feliz.

Pensemos nisso!

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