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Artigo A Canção do Pássaro Marcus De Mario Sempre que os raios do majestoso Sol afastavam com delicadeza as sombras da noite, ele, o pássaro, empoleirado em galho de frondosa árvore, anunciava o amanhecer com belos trinados, e assim eu despertava para mais um dia de atividades, sempre intimamente agradecendo pela presença tão encantadora daquele pássaro e seu maravilhoso canto. Certo dia, quando estava concentrado em meu trabalho, ouvi estranho barulho, muito forte. Olhei pela janela e verifiquei a queda da árvore, que ficava no quintal de um vizinho. Ele, orgulhoso, dizia: "Pronto, nunca mais vou ter meu quintal cheio de folhas, me dando o maior trabalho para limpar!". Fiquei triste, pensando no tamanho do egoísmo do homem que olha só para seu conforto, fazendo questão de ignorar os prejuízos que seus atos trazem para os outros e para a humanidade em geral. E no dia seguinte, ao amanhecer, os raios solares não puderam mais aquecer o pássaro, obrigado que foi de procurar outro abrigo. E eu fiquei sem a bela canção! O sol que aquece, vivifica é como a educação. A escola deveria ser uma árvore majestosa, frondosa, dando sombra e frutos, abrigando os alunos. E os alunos deveriam ser pássaros livres, cantando e alegrando as nossas vidas. Mas chega o professor mal humorado, reclamando da vida, insatisfeito, entediado e cansado de trabalhar os alunos-pássaros, e resolve detonar a escola, tornando-a burocrática, pesada, indigesta, indiferente. O aluno-pássaro vai se abrigar e cantar em outras localidades, algumas perigosas. Chega também o diretor. Se a escola é particular, ele é o dono, e faz dela uma empresa, um negócio para gerar lucros, muitos lucros, onde a liberdade não tem vez, pois tudo deve ser feito para formar alunos que passem em concursos públicos e possam ser estampados em outdoor. Se a escola é pública, faz dela um refúgio para a aposentadoria, fugindo a novidades pedagógicas. Nem todo diretor, ou dono, é assim, mas raras são as árvores-escolas belas e frondosas. Resolvi plantar uma árvore. Pensei regá-la com o amor, mas me disseram que isso não serve. Pensei adubá-la com a liberdade, mas me disseram que isso não resolve. Pensei sustentá-la com a participação de todos, mas me disseram que isso é loucura. Resolvi não ouvir ninguém e fazer do meu jeito, do jeito que acredito. E criei o IBEM - Instituto Brasileiro de Educação Moral, desenvolvi a Pedagogia da Sensibilidade, formulei a Escola do Sentimento, lancei a revista ReConstruir, escrevi livros, fiz palestras e coordenei seminários. E continuo fazendo. Muitos não me dão crédito porque não tenho mestrado, doutorado ou uma especialização acadêmica. Sou apenas e tão somente um simples educador de diploma amarelado pelo passar do tempo. E feliz, porque me sinto pássaro livre a cantar todas as manhãs. Meu sonho é ouvir crianças e jovens, todas as manhãs, cantando para alegrar a vida dos homens. Meu sonho é ver a educação aquecendo corações. Meu sonho é sentir a escola abrigando, orientando e incentivando seus alunos a serem pássaros livres voando pelo céu dos sonhos e das canções. Pensemos
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Análise&Crítica
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