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Artigo
17/07/2006

A Educação Moral e a
Pedagogia da Sensibilidade

Marcus De Mario

Quando deitamos o olhar sobre os quadros da vida humana, não podemos deixar de admirar o quanto o homem ainda é prisioneiro dos mais variados vícios de ordem moral e o quanto se debate nos meandros do conhecimento à procura de si mesmo e do signifi-cado da vida. Nessa ânsia por respostas satisfatórias envereda por caminhos nem sempre os melhores, e deixa-se cristalizar por uma insensibilidade diante dos outros que estabele-ce cenas cotidianas de surpresas e amarguras. Mas há o retrato contrário, quando os sen-timentos afloram, quando as emoções equilibradas mobilizam o homem para "ser" no mun-do, e não apenas "ter" coisas no mundo.

"Ser no mundo", eis a meta a atingir!

Estabelecer critérios éticos de convivência e possuir uma visão ampla e profunda de si mesmo e da vida, tanto na perspectiva filosófica, religiosa, psicológica, histórica, antropo-lógica, cultural, etc. em uma palavra, uma visão integral, constituem o conteúdo de "ser no mundo". E não há instrumento mais valioso para isso do que a educação moral. Isso porque a educação moral estimula no homem suas potencialidades naturais; dá-lhe direcionamento firme do caráter; equilibra o uso da inteligência com ações éticas de benefício geral; coloca-o disposto afetivamente para viver com o outro; abre-lhe perspectivas muito melhores de vida com a conseqüência do estabelecimento de uma ordem geral justa e hu-mana. Trilhando o caminho da educação moral, o mais importante não será "ter" o título acadêmico, mas "ser" útil a si mesmo e aos outros.

A educação moral, já preconizada por diversos educadores ao longo da história humana, como Sócrates, Jesus, Agostinho, Comênio, Pestalozzi e outros, é o objeto de aplicação da Pedagogia da Sensibilidade, a partir da visão integral do ser.

Acreditamos sinceramente no que escrevemos, porque sentimos profundamente o que dizemos e as experiências demonstram o acerto dos princípios da Pedagogia da Sensibilidade.

Escrevemos aos homens de coração sincero, aos homens de boa vontade, aos professores que amam sua profissão, aos pais que zelam por seus filhos, a todos que acreditam na educação como instrumento de construção do ser.

Pode parecer paradoxal acreditarmos na educação moral quando tanto se defende a educação pelo conhecimento, mas é que temos a nosso favor os fatos históricos, e contra os fatos não há argumento possível. Os que defendem a educação através do conhecimento são conteudistas, com visão exclusiva no acúmulo de informações apreendidas. Metrificam a cultura, dão-lhe valor exagerado e classificam o homem pelo resultado da soma de seus diplomas. E que importa se ele utiliza o conhecimento para esmagar os outros? Para projetar artefatos bélicos de eliminação da vida? Para manipular a economia em favor de si mesmo ou de grupos minoritários? Que são dos doutores da cultura de todos os tempos, que preencheram laudas sobre laudas de teses, estudos, palestras, senão repasto para as traças? Por ventura melhoraram a si próprios, moralizando seus hábitos? Foram úteis para a sociedade? Grandes líderes festejados pelas objetivas da história, são apenas retrato de barbárie e tolice. Fosse o conhecimento o mais importante na educação do ho-mem, e o avanço científico já teria determinado nossa felicidade.

Cada vez mais sentimos a necessidade do afeto, da virtude, do amor nas expressões de vida do homem, a lhe responderem aos anseios e encaminhá-los à sua totalidade.

Não é de cultura o que mais necessitamos, é de amor. Não é o império da inteligência que gera felicidade, mas a força do sentimento enobrecido.

Um novo tempo histórico, no amálgama da vida humana, tem início. O tempo da educação moral, para transformar o homem e a sociedade e dar-lhe verdadeiras e sólidas razões de viver. Para sua implantação é que oferecemos a Pedagogia da Sensibilidade.

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