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Artigo
15/12/2008

Desrespeito a Educação

Marcus De Mario

Programa jornalístico da televisão apresentou reportagem sobre o transporte escolar em várias cidades brasileiras, quando tivemos oportunidade de verificar o descaso das autoridades públicas com as crianças e a educação. Em muitas cidades o transporte acontece somente a partir de um determinado ponto, obrigando as crianças moradoras da periferia e da zona rural a longas caminhadas, iniciadas muitas vezes na madrugada, para chegar ao local onde o transporte as conduzirá até a escola.

E o chamado transporte escolar não passa de um caminhão ou caminhonete sem nenhuma segurança, até mesmo com bancos soltos, transportando o máximo possível de crianças. E quando é um ônibus está, literalmente, caindo aos pedaços, sem manutenção, velho e pronto para um desmonte.

É assim que cuidamos das nossas crianças e da educação escolar?

Pelo que a reportagem mostrou entendemos porque o projeto de lei para instituir a Lei de Responsabilidade Educacional não vai para frente no Congresso Nacional. Não há apoio dos senhores Prefeitos, que seriam prejudicados diretamente, pois a maioria teria de, finalmente, investir as verbas na educação, mas isso não é prioridade.

Outra reportagem televisiva, mostrou um município que recebeu, em média, nos últimos quatro anos, R$10 milhões de reais anuais do governo federal como repasse para a educação, ou seja, nos últimos quatro anos a Prefeitura recebeu aproximadamente R$40 milhões de reais. Mesmo assim, as escolas estão abandonadas, muitas não passam de uma tapera com uma única sala de aula para várias turmas de alunos. O Prefeito explicou que pegou a educação do município em péssimas condições e não pode ainda fazer tudo o que gostaria. Bem, se com todo esse dinheiro não foi possível reformar e construir escolas...

É muito triste assistir esse desrespeito à educação em nosso país e verificar que nada acontece com prefeitos e secretários de educação, que sempre se eximem de qualquer responsabilidade.

Se continuarmos assim, nenhuma meta para educação de qualidade ou educação para todos será atingida, pelo menos não na prática, porque estatísticamente até poderemos apresentar índices melhores, mas nem sempre compatíveis com o que fazemos na realidade do dia-a-dia de nossa educação. Até quando assistiremos essas reportagens?

Até quando ficaremos inertes diante dessas denúncias? Até quando as autoridades públicas ficarão impunes?

Mais do que pensar nisso, façamos alguma coisa! Apoiemos, com todas as forças, a aprovação e aplicação da Lei de Responsabilidade Educacional.

E fiscalizemos os prefeitos (re)eleitos, para que compreendam a importância da educação e cumpram com suas promessas.

Pensemos nisso!

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