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Artigo
01/12/2008

Causa e Solução

Marcus De Mario

Pesquisa realizada pela UNESCO, que é o órgão das Nações Unidas para a educação, sobre o ensino médio (antigo segundo grau) brasileiro revelou aspectos alarmantes e que merecem nossa reflexão. Vejamos o resumo dos resultados dessa pesquisa:

"A pesquisa da Unesco, "Ensino Médio: Múltiplas Vozes", realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e privada, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com o que aprendem nas escolas. Não é surpresa, portanto, que 43% dos 8,7 milhões de alunos matriculados nesse nível de ensino já tenham "repetido de ano" - como se diz. Curiosamente, professores e alunos concordaram sobre quais são os três principais problemas do ensino médio: desinteresse do aluno, indisciplina e falta de espaço - social, cultural e esportivo na escola."

Temos então os seguintes itens destacados:

* Alto grau de insatisfação por parte dos alunos.
* Índice de repetência (43%) muito alto.
* Desinteresse dos alunos pelo ensino e pela escola.
* Problemas de indisciplina.
* Falta de espaço social, cultural e esportivo na escola.

Lembramos que o ensino médio brasileiro trabalha com alunos na faixa etária de 15 a 18 anos de idade, portanto estamos nos referindo a adolescentes e jovens que já possuem bagagem cultural, já tem certo nível de consciência social, jovens que estão apontando o dedo para a escola, dizendo que a mesma não os satisfaz, não preenche seus anseios, o que quer dizer, em outras palavras, que a filosofia da educação e seus projetos pedagógicos não estão atingindo essa juventude. Por quê? A resposta está no enfoque central, básico, dessa filosofia: o materialismo com a conseqüente falta de visão integral do ser, das virtudes, etc.

A causa e a solução
As causas da situação estão claras: falta de profundidade sobre o ser e a vida, falta de crença na eficiência da educação moral, falta de sentimento para equilibrar o desenvolvimento da inteligência. A escola é reflexo desses posicionamentos equivocados que não levam em conta a espiritualidade do homem, o finalismo superior da existência. Enquanto insistirem os responsáveis pela educação brasileira em ignorar a realidade e necessidade da formação do caráter com a aplicação da educação moral, a escola continuará sendo alvo de inúmeros questionamentos e o ensino se caracterizará por não conseguir preencher as necessidades do aluno.

Precisamos de sentimento e de uma nova filosofia de educação para renovar a escola a partir da mudança dos projetos pedagógicos, projetos esses que devem levar em consideração os valores da vida e não somente os valores intelectuais, culturais e profissionais. Que adianta ter um diploma que habilita o exercício de uma profissão se nesse exercício não utilizamos a ética?

Educar a alma, bela expressão ainda a ser devidamente compreendida. E não se pode educar a alma sem amor no coração e sem trabalhar o bem, a verdade, a justiça, a ética, a cidadania. Não se pode educar a alma sem o comprometimento com a educação moral e com uma escola dinâmica, participativa, alegre e que vise formar antes de instruir.

Pensemos nisso!

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Análise&Crítica
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