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Artigo
10/11/2008

A Formação do Professor

Marcus De Mario

No momento em que o Ministério da Educação proclama ser prioridade esforços no sentido de melhor formar o professor e proporcionar-lhe uma formação continuada, lançando a Escola Aberta do Brasil para o ensino a distância, temos uma bela oportunidade de debater a realidade do professor público brasileiro e a realidade que ele enfrenta na escola de educação básica.

Apesar da aprovação do piso salarial para a categoria, que estará plenamente implantado somente em 2010, isso se as ações na justiça deixarem, a realidade salarial dos professores é um verdadeiro vexame nacional. Muitos estados e municípios nem respeitam o salário mínimo, que só é alcançado graças a gratificações e outros subsídios que se somam ao salário base. É bom lembrarmos que gratificações e bonificações não são salário e normalmente não contam para recolhimento da previdência social, nem para cálculo da aposentadoria.

E o que falar da maior parte das salas de aula que, ou estão abarrotadas de alunos, ou estão em péssimas condições físicas? É humanamente impossível para uma professora dar aula com qualidade para uma turma com mais de vinte alunos, chegando mesmo ao absurdo de ter quarenta ou sessenta estudantes na sala, apertados entre carteiras e espaços mínimos de circulação. Por maior boa vontade e amor à profissão, fica difícil, ainda mais quando o quadro está esburacado e faltam materiais didático-pedagógicos.

E de quem é a culpa? São vários os culpados. Comecemos pelo governo federal que, nas últimas décadas, nunca priorizou a educação. E os governos estaduais, com suas exceções, que têm um histórico de pouco caso com professores e escolas? E chegamos aos prefeitos dos mais de cinco mil municípios brasileiros que, com raras exceções, pouco fizeram e fazem pela educação, mantendo escolas que jamais poderiam receber esse nome, tal a precariedade dos prédios.

Não podemos ficar somente nas autoridades públicas. Há, igualmente, a culpa das universidades públicas e particulares que desenvolvem cursos de pedagogia de baixo padrão, lançando nas escolas professores mal formados, sem a capacitação que se requer de quem vai trabalhar o desenvolvimento intelectual e emocional de uma nova geração.

Agora, finalmente, podemos estender a lista de culpados para a sociedade em geral, que se omite de exercer seus direitos de cidadania, e coloca a educação dos filhos como quinta prioridade de vida, conforme mostram pesquisas.

Os culpados por essas situações não estão isolados, pois o viver é sistêmico, existindo significativa sinergia entre as partes envolvidas, motivos pelo qual devemos, com urgência, discutir a educação e fazer todos os esforços pela educação, até porque já está provado que país que prioriza a educação e dá todo o suporte ao professor, é país que obtém muito bom desenvolvimento econômico, cultural, social.

Não destaquei o professor entre os culpados. Não é que ele não tenha sua parcela de responsabilidade, é que o assunto requer outro texto.

Pensemos nisso!

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