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Artigo
08/09/2008

Avaliação

Marcus De Mario

Levante a mão quem, nos tempos escolares, nunca teve medo de prova. Difícil, não é mesmo? Hoje ainda não é diferente. Tempos atrás a prova era utilizada com dois objetivos bem claros: primeiro, para detectar os alunos com baixo aprendizado e eliminá-los do sistema; segundo, para provocar o estudante a aprender, mesmo que isso significasse apenas a memorização ou a cola. Apesar desses dois objetivos, nunca explícitos, oficialmente a prova sempre foi utilizada como instrumento de avaliação do ensino.

Nos tempos atuais a prova ampliou o seu público alvo. Continua a exercer suas antigas funções e acrescentou mais uma: avalia também a escola, mas sempre em função do aprendizado do estudante. Assim, temos escolas que preparam seus alunos para as provas que aprovarão a elas mesmas. Isso sem contar o ensino que visa exclusivamente o preparo do estudante para as provas do vestibular.

Avaliações através de provas para classificar, reclassificar, dar acesso. Parece mais um mercado de trocas. Mas dizem que tudo é pela qualidade na educação.

A prova, como sempre foi utilizada e continua sendo, é burra. É silenciosa quanto as habilidades e competências dos alunos. É surda ao processo de aprendizagem do aluno. Mais parece sentença judicial fria e desumana. E quando os índices não estão bons, mudam-se os critérios, e uma nova estatística, sempre melhorada, é apresentada. É o velho truque da maquiagem.

Avaliar é sempre importante e mecanismos de avaliação haverão de existir, e a prova até pode ser um dos instrumentos da avaliação, desde que reformulada nos seus objetivos e na sua aplicação. Se a avaliação orienta o ensino e leva em conta o processo de aprendizagem, então ela serve como instrumento para a melhor qualidade da educação. Do contrário é uma avaliação estimulante do estresse e da frustração.

Quem é professor, ou já exerceu a função, sabe muito bem o que é passar noites em claro ou generosas horas do fim de semana, preparando e corrigindo provas, muitas vezes de modo apressado, superficial, porque o tempo é escasso. E também sabe do famoso jeito de ganhar tempo repetindo ano após ano as mesmas provas (é mais fácil, basta trocar a data). E mesmo assim dizem que a prova avalia o estudante e o ensino praticado pela escola.

A única encomenda pior na utilização da prova é a enviada pelo governo através das provas nacionai de avaliação (Prova Brasil, Enem e outras), que não levam em conta as diferenças regionais e desconhecem o perfil diferenciado de uma escola de periferia e outra de classe média alta na mesma região urbana. Essas provas carimbam a escola com determinado índice, e dificilmente dão elementos para orientar o ensino.

Avaliar levando em consideração que o aluno é uma pessoa humana, que a escola é formada por gente, que o ensino é instrumento da educação, que existe um processo de ensino-aprendizagem, que o desenvolvimento cognitivo sempre está integrado com o desenvolvimento afetivo. Avaliar com o objetivo de melhorar o ensino, melhorar o aprendizado e melhorar a educação.

E lembrar que as condições de trabalho do professor e as condições de aprendizado do aluno, são fatores de peso na influência dos resultados de uma avaliação. Uma prova tem o dom de detectar toda essa gama de variáveis?

Pensemos nisso!

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