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Artigo
21/07/2008

O Que e Como se Ensina

Marcus De Mario

Dia desses ouvi a explicação da mãe à sua filha: "Não, porque o bicho-papão pode estar lá dentro", referindo-se a local próximo onde a filha, pequena criança, queria ir, mas ela, mãe, não queria. Que belo ensino! Uma mentira monstruosa, inculcando na criança algo inexistente e ainda cultivando o medo. Depois, quando a criança crescer, essa crença vai cair, e nesse momento pode gerar um trauma ou um vazio no psiquismo, que até então acreditava no bicho-papão.

E as escolas fazendo festa de Hallowen? Bruxas e caras de abóbora importadas da cultura norte-americana e impostas à mente infantil brasileira, no lugar do estudo das nossas raízes folclóricas. E depois se queixam que as novas gerações verde-amarelas pouco sabem do país e das suas tradições.

E o famoso "é porque eu estou mandando"? A criança olha perplexa, quer entender a proibição, indaga, e recebe como resposta uma sonora verbalização impositiva que nada explica.

Precisanos tomar muito cuidado com o que ensinamos e como ensinamos, pois o ensino gera crenças e essas crenças apoiam um edifício de conhecimentos e comportamentos, que irá desmoronar um dia. E como fica a vida agora que a crença se foi?

Pais e professores necessitam vigiar suas falas, suas atitudes intempestivas, seus comportamentos formatados, lembrando sempre que aquilo que ensinam, e como fazem isso, estruturam uma personalidade alheia em fase de crescimento, de desenvolvimento, que, em princípio, acreditará no que está sendo ensinado.

O senso crítico só pouco a pouco aflora, e para isso é dependente dos estímulos. Quando, em casa, dizemos ao nosso filho que "não adianta, não vou mais perder tempo com você, não entra nada nessa cabeça", estamos dizendo que não acreditamos nele, que ele realmente não vai ser ninguém na vida, e que, mesmo sendo pai ou mãe, é perda de tempo preocuparmo-nos com ele. Essa mensagem é negativa, desestimula. É anti-educativa.

Cuidemos melhor da educação de nossas crianças. Lembremos que elas possuem inteligência e emoção, que elas precisam ser socializadas, que elas necessitam de positivação de seu potencial.

Uma reforma no conteúdo do ensino escolar é urgente, tanto quanto uma reforma na maneira como se ensina. Os professores devem reavaliar sua didática, sua metodologia e a adequação dos conteúdos curriculares aos interesses e à realidade da vida dos alunos.

Por sua vez, os pais devem tomar muito cuidado com os ensinos que dão aos filhos, que não devem se chocar com o ensinado na escola, e precisam ter base verdadeira e não mentirosa ou fantasiosa.

A educação, realizada tanto na escola quanto na família, deve priorizar o desenvolvimento do senso moral da criança e do jovem, estimulando as virtudes, pois somente assim teremos uma geração verdadeiramente preparada para ser transformadora do homem e do mundo.

Pensemos nisso!

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