|
|
||
|
Artigo Tempo Integral para Melhor Educar Marcus De Mario A escola de tempo integral teve seu primeiro momento com o educador suiço Pestalozzi, no início do século dezenove, quando fez funcionar o Instituto de Iverdon, que ia mais além, pois era uma escola nos moldes de um internato, com os alunos morando nas suas dependências e recebendo visitas dos familiares. Foi Pestalozzi o criador das salas específicas de cada matéria curricular, com os alunos deslocando-se para as salas de aula, antecedendo no tempo a chamada escola do trabalho, também conhecida como escola ativa, que educadores como Kerchensteiner, Freinet e outros implantaram na Europa da primeira metade do século vinte. Pestalozzi revolucionou todos os procedimentos pedagógicos. Aulas de natação eram desenvolvidas ao ar livre, no lago. Botânica era estudada na floresta. Tudo interligado por muita música, muito canto. E assim Iverdon tinha atividades educacionais do início da manhã ao final da tarde, o que caracteriza a escola de tempo integral, que deve possuir um projeto político-pedagógico dispondo atividades, conteúdos, procedimentos. Na escola de tempo integral não pode existir estudo curricular durante a manhã e atividades recreativas na parte da tarde, pois isso descaracteriza a verdadeira escola de tempo integral. Quando fizemos o projeto da Escola do Sentimento, levamos em conta o Instituto de Iverdon e seu funcionamento, propondo tempo integral para uma educação integral, pois não é possível trabalhar as áreas do cognitvo e do sentimento com apenas quatro horas de aula, em tempos compartimentados, funcionando o currículo não numa rede curricular interativa, mas como matérias estanques, sem ligação. O projeto pedagógico da escola de tempo integral deve reservar espaços de tempo para as atividades escolhidas pelo próprio aluno, assim como prever tempo para os professores estudarem e desenvolverem suas atividades internas no preparo das aulas. No Brasil, entre diversas experiências do gênero, podemos destacar o projeto idealizado pelo educador Darcy Ribeiro, conhecido como CIEP - Centro Integrado de Educação Pública, e implantado no estado do Rio de Janeiro. Infelizmente a idéia não teve continuidade. Podemos imaginar o efeito positivo que teria produzido na sociedade, caso o projeto não tivesse sido desmontado? Com um pouco de vontade política e um bom projeto pedagógico, toda escola pública pode transformar-se em escola de tempo integral, e assim terminaríamos com a jornada dupla ou tripla dos professores, que trabalhando em diversas escolas não podem ligar-se afetivamente com os alunos, nem acompanhar corretamente os procedimentos pedagógicos da escola. O tempo integral é uma necessidade, e a união com a família é imprescindível, permitindo sua interatividade com a escola, o que não é difícil, pois temos muitos bons exemplos nesse sentido. A escola de tempo integral é o caminho para um futuro melhor na educação. Para ler todos os artigos de Marcus De Mario clique aqui. |
Análise&Crítica |