|
|
||
|
Aprendendo Educar O Homem Integral Marcus De Mario Devemos estabelecer nosso pensamento sobre o homem de forma clara e objetiva, pois todo desenvolvimento de nossa visão de sua formação integral dependerá de sabermos o que é o homem e quem é esse ser do qual estamos tratando, e do qual somos exemplo. O homem é o sujeito fundamental da educação, quer esteja na posição de educando ou na de educador, por isso que a filosofia da educação deve procurar insistentemente uma visão integrada do homem para compreendê-lo e compreender a própria educação. São diversas as visões filosóficas sobre o homem, as quais podemos reunir em quatro grandes grupos: 1. Perspectiva Essencialista
(antropologia metafísica) - imagem abstrata da natureza humana,
idealista, sem dar conta do social. A adoção de uma das perspectivas sobre o homem é essencial para que a filosofia da educação possa estipular valores, fins e normas, respondendo a questão do para quê educar. A primeira perspectiva, idealista, não nos satisfaz porque estuda o homem sem levar em conta os aspectos de sua vivência. A segunda perspectiva, materialista, não alcança nosso propósito, pois tudo encerra no biológico, deixando muitas questões sobre o ser sem respostas satisfatórias. A terceira perspectiva, histórica, é incompleta, deixando de lado a realidade psíquica do homem. A quarta perspectiva, holística, é a que vem de encontro ao nosso pensamento e, portanto, é a que adotamos ao visualizar o homem como um todo: Bio - porque vive
num corpo orgânico e esse corpo mantém relações
com outras espécies e com a natureza. Estabelecida assim nossa visão sobre o homem podemos agora mergulhar em sua formação integral, estudando-o como um todo. Para nós, a educação é o conjunto de estudos e experiências que propiciam ao educando desenvolver suas potencialidades de forma equilibrada, objetivando sua formação integral com o fim de termos o homem moral. Fica implícito em nossa definição o finalismo superior da educação: o homem moral. E também o caminho para esse fim: a formação integral, equilibrada, que podemos ao nível do ensino destacar como sendo a aplicação da interdisciplinaridade, ou seja, o conjunto das disciplinas e dos temas de estudo em ação cooperativa, e não isolada. Também está caracterizado na definição a aplicação da experiência própria, do trabalho por parte do educando, assim como o reconhecimento de que ele é o agente de si mesmo, por ser portador de suas próprias potencialidades. Estamos falando da educação integral, aquela que conjuga de forma dinâmica os agentes sociais, o eu indivíduo e a vida num processo interativo. É sem dúvida, um processo educativo elaborado, mas o único que assegura o cumprimento de seu finalismo superior. As ações equilibradas da natureza, do meio social, dos estados afetivos, da personalidade, etc., formam o processo da educação. Essa é a visão integral que leva em consideração as trocas e influências entre a família, a escola, os meios de comunicação, o trabalho, o lazer e tudo o mais. Isso importa em estabelecer que vida é educação, e tão rica é a vida que todo artificialismo é dispensável. Muitos educadores - professores, assistentes sociais, psicólogos, pais, etc. - se desestimulam frente a atividades de estudo, pesquisa e elaboração prática em grupo, denunciando sua falta de visão do homem e do mundo, não conseguindo funcionar satisfatoriamente no âmbito das relações. Esses educadores são sistemas fechados, responsáveis pelo verbalismo inconseqüente e pela constante troca de atividades na busca de soluções. Estão sempre à procura de receitas prontas sem perceber a dinâmica e profundidade da vida. Em nossa definição dizemos que a educação deve levar o indivíduo a ser um homem moral, e isso acontecerá quando priorizarmos a formação no lugar da informação. Quando colocarmos a teoria e a prática a serviço da educação integral do ser. Preconizamos através destas palavras a reformulação dos cursos de formação de educadores. Também defendemos a recapacitação dos educadores em atividade, pois toda teoria será derrotada se os responsáveis por sua aplicação não forem capacitados para colocá-la em prática. Enquanto os educadores estiverem arraigados ao ensino compartimentado, disseminado em disciplinas e matérias estanques, sem visão de totalidade, sem compreensão da interatividade das partes que compõem o todo, esse ensino não conseguirá promover de forma equilibrada as potencialidades do educando. Ainda mais grave é constatarmos que, enquanto os educadores não se conscientizarem que a educação possui o finalismo superior de formar o ser, e não apenas de instruí-lo, essa educação que é promovida desde muito tempo jamais conseguirá estabelecer condutas éticas e relações de ordem moral. Para estabelecê-las será necessário resgatar os valores humanos: materiais, intelectuais, morais, espirituais, que encontram-se marginalizados, substituídos pela instrução, pelo imediatismo. É necessário conjugar, com o mesmo peso, os valores humanos com a instrução, ou em outras palavras, equilibrar no processo da educação a formação do caráter com a formação intelectual. Ao mesmo tempo desenvolvermos capacidades motoras e intelectuais com a sensibilização dos sentimentos e aquisição de virtudes. Realmente, temos de concluir que não é a falta de conhecimento o motivo de tantos problemas no âmbito do ensino, mas, isto sim, a falta de visão integral do mesmo e a falta de conscientização sobre a vida e o finalismo superior da existência do ser humano. Quando os educadores compreenderem essa verdade, eis que surgirá plena a educação.
|
Análise&Crítica |