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Aprendendo Educar Como Trabalhar a Educação Moral em Sala de Aula Marcus De Mario Participando de encontros
e seminários onde temos tido a oportunidade de apresentar o Projeto
Educação Moral para Formação do Homem, alguns
professores alegam não terem espaço de tempo em suas aulas
para, além da matéria curricular, ainda terem de trabalhar
a educação moral, considerando alguns seja esse binômio
currículo/formação moral incompatível. É
natural que assim pensem diante de uma "novidade" que lhes está
sendo apresentada, quando mostramos a necessidade da união entre
o desenvolvimento da inteligência e o desenvolvimento dos sentimentos
através do despertamento da sensibilidade. É preciso fique
claro que não defendemos a existência de aulas específicas
de educação moral, com professores especialmente habilitados
para essa função. Não se trata de mais uma disciplina
a ser incorporada ao currículo, e sim de um trabalho interdisciplinar,
integrado ao dia-a-dia da sala de aula, aproveitando as circunstâncias
da vida dos alunos e da sociedade em que vivem. A educação
moral trabalha os valores humanos e esses valores fazem parte do ser e
da vida, em todas as circunstâncias. Nas objeções
de alguns professores encontramos dois fatores que merecem nossa análise:
Professor x educador
e individualismo x grupo são posicionamentos a serem meditados
e reavaliados. Ainda podemos apontar
um terceiro fator: a questão da violência. Para ilustrar
passo a contar aos leitores uma cena vivida na secretaria de uma escola,
da qual fui mero espectador: Professora 1 - Não
sei mais o que fazer com meu filho. Vive me desobedecendo, não
dá satisfações e agora sai toda noite com os amigos. Professora 2 - O meu
filho eu já controlei. Dei-lhe umas boas surras e já avisei
que se continuar o castigo vai ser maior. Professora 1 - Já
cansei de bater e ameaçar. Professora 2 - Mas
o seu ainda está em tempo, com nove anos. Pior é o meu que
já está com doze e agora as surras não resolvem mais. E assim a conversa
continuou mais um pouco e o único que se salvou fui eu mesmo que
não levei nenhum tapa, embora estivesse muito perto das duas professoras. Realmente o quadro chega a ser desestimulador: egoísmo, falta de união, indiferença, valores invertidos, preocupação apenas com o conteúdo e não com a formação...mas nada está perdido. Trabalhando na
sala de aula 1. Atividades para
desenvolvimento do cognitivo. Qualquer professor,
em qualquer dia, pode iniciar a aula com a técnica de sensibilização
"Como Estou". Ao fazer a chamada nominal peça aos alunos
que identifiquem-se descrevendo o seu sentimento naquele momento. Exemplo:
estou feliz, estou de mau humos, etc. Pergunte a eles o que significa
estar feliz ou estar de mau humos, quem já esteve de mau humor
e conseguiu depois ficar feliz e como fez isso. Essa conversa descontraída,
de no máximo dez minutos, se for levada a efeito todos os dias
criará o hábito salutar nos alunos de perceberem que os
outros também possuem os mesmos problemas, e que sempre há
uma saída feliz para dias mais felizes. A vivência de
solidariedade "Descobrindo" pode ser aplicada como um projeto
desenvolvido por vários professores ao mesmo tempo, pois trata-se
de organizar em sala de aula grupos de discussão temática
sobre temas da vida como sexo, drogas, violência, família,
etc., levando os alunos a pesquisar o tema escolhido e debate-lo, oportunizando
momentos de troca de experiências e percepção sobre
o que é bom e o que é ruim para a construção
de suas vidas. Pode ser aplicado uma vez por semana, por exemplo. Fazer seus alunos
pensarem através de "Desafios é outra técnica
que favorece a fusão currículo-moral. Exemplifiquemos com
a disciplina Educação da Cidadania. Proponha aos alunos
resolverem o problema da miséria em sua cidade. Quantas pessoas
são miseráveis? Quais suas condições gerias
de vida? São questões que envolvem a matemática,
a estatística, a higiene, a ecologia e outras matérias.
Deixe-os pensar e propor soluções concretas. Discuta com
eles a viabilidade das propostas e suas reais conseqüências,
fazendo com que eles cheguem a atividades concretas que possam realizar
individualmente e em grupo. As melhores soluções podem ser
encaminhadas para a Prefeitura Municipal. Manter o diálogo
aberto e construtivo da consciência crítica, com base no
amor, é tarefa constante que o professor deve trabalhar consigo
mesmo. O professor que amar sua profissão será um educador e trabalhará os valores humanos para que seus alunos alcancem o "ser no mundo", o patamar que a educação moral nos oferece e que não é tão difícil ser trabalhado em sala de aula e por toda a escola.
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Análise&Crítica |