|
Aprendendo
Educar
Um
Novo Olhar Sobre a Escola
Marcus
De Mario
A escola mudou, ou
está em mudança, mas nem todos perceberam isso, mesmo os
professores, e é fácil verificar.
Os castigos corporais - varadas, reguadas, milho para se ajoelhar, puxões
de orelha e outros - foram abolidos do sistema escolar há um bom
tempo. O que era comum até a metade do século vinte hoje
é um contra senso, uma aberração e uma violação
aos direitos da criança e do adolescente.
As frases, ou mesmo sentenças inteiras para serem copiadas no caderno
cinqüenta, cem ou mais vezes também deixaram de existir, não
se impondo mais essa tortura infantil.
O caderno de caligrafia, com exercícios quilométricos desafiando
a paciência, no único intuito de se conseguir uma letra redonda,
caprichada e perfeitamente legível é agora recordação
para os pais um tanto quanto mais antigos e para os avós.
O mimeógrafo, avô da impressora do computador, produzindo
mapas, desenhos, provas, exercícios rigorosamente iguais para todo
mundo, mesmo sendo os alunos diferentes entre si, virou peça de
museu, mas muitos o substituíram pela máquina xerox, mais
fácil é verdade, mas reprodutora do mesmo jeito.
As carteiras mudaram. Já não são fixas e de dois
lugares. Hoje temos carteiras que se adaptam anatomicamente ao aluno.
O quadro negro agora é branco, e de acrílico, e o giz foi
substituído por pincel atômico, ou pelo menos tornou-se verde.
A escola recebeu a informática, a educação física
aceitou os jogos, o lazer e as brincadeiras, os recursos didáticos
estão muito ampliados, as metodologias são variadas, mas
há quem ainda dê aula na base do "cuspe e giz"
e empregue todos os esforços em fazer o aluno decorar, memorizar,
assinalar certo ou errado e se preparar para o vestibular. Esses não
perceberam que a escola mudou, ou melhor, está em processo de grandes
mudanças.
Em vários países, não somente no Brasil, discute-se
a qualidade do ensino em contraposição à quantidade
do que se ensina. Dessa discussão surgiram novos projetos pedagógicos,
novos objetivos para a educação, já estando claro
que não basta trabalhar o cognitivo, devendo juntar a ele o trabalho
de desenvolvimento do emocional, numa visão mais integral do ser
humano.
A escola deve ser inclusiva, cidadã, interagindo com a comunidade.
Deve respeitar o educando e dar-lhe oportunidades de aprendizado solidário,
de trabalho, ou seja, a escola deve ser vida e a vida deve estar na escola.
Novos paradigmas
O professor, como cidadão do mundo e ser integral que é,
necessita reformular sua visão, sua compreensão sobre a
educação e a escola, alargando horizontes, entendendo que
diploma não tem prazo de validade e a sua capacitação
constante é necessidade para o bom desenvolvimento do seu trabalho.
A escola não existe apenas como agente social que transmite conteúdos
de matérias curriculares, e o saber não se circunscreve
somente ao estudo desses conteúdos.
A escola é agente social de promoção da cidadania,
de valorização da vida, de formação intelectual
e também de formação moral do educando e de todos
os que com que ela estão envolvidos.
Esse é o novo paradigma que se estabelece, que está sendo
trabalhado e que deverá se consolidar nos próximos anos.
A escola do sentimento
É na filosofia que rege a educação onde devemos primeiro
fazer uma modificação, pois é ela o comando de todo
o processo, substituindo a filosofia materialista ainda vigente pela filosofia
espiritualizante. Como segundo passo necessitamos de uma nova visão,
de um novo entendimento sobre a educação, que é a
formação do caráter, a sensibilização
dos sentimentos, o desenvolvimento das virtudes regendo a formação
intelectual, e não o contrário.
Assim, podemos estabelecer que a educação moral significa:
-
Formação
do caráter;
-
potencialização
das virtudes;
-
sensibilização
dos sentimentos;
-
direcionamento
da inteligência para o bem; e
-
construção
do homem integral.
Na educação
moral temos a construção do homem, pois ela significa visão
integral do ser humano.
No modelo educacional Escola do Sentimento, que o Instituto Brasileiro
de Educação Moral - IBEM apresenta, estabelecemos os fins,
a metodologia e a orientação básica da educação
moral para formação do caráter, para construção
do homem total, para o equilíbrio entre o sentimento e a razão,
destacando a importante função do amor, porque não
pode existir educação fora do amor.
Se desejamos ajudar o homem na construção ideal de si mesmo
e da sociedade mais justa e feliz, "isto só se pode conseguir
por transformar suas escolas, tornando-as verdadeiros centros de educação
nos quais as forças morais, intelectuais e físicas, que
Deus colocou em nossa natureza, possam ser despertadas e desenvolvidas,
de sorte que o homem seja capacitado para viver uma vida digna, contente
em si mesmo e contentando os outros", como nos diz com toda propriedade
o educador Pestalozzi (conforme Luciano Lopes, "Pestalozzi e a Educação
Contemporânea").
Essa escola é a que apresentamos no modelo educacional Escola do
Sentimento, a escola que irá dar real cumprimento ao direito à
educação, conforme estabelecido na Declaração
Universal dos Direitos do Homem em seu artigo 26, item 1, e que a visão
profunda de Jean Piaget sintetizou:
"(...) o direito à educação intelectual e moral
implica algo mais que um direito a adquirir conhecimentos, ou escutar,
e algo mais que uma obrigação a cumprir: trata-se de um
direito a forjar determinados instrumentos espirituais, mais preciosos
que quaisquer outros, e cuja construção requer uma ambiência
social específica, constituída não apenas de submissão.
A educação é, por conseguinte, não apenas
uma formação, mas uma condição formadora necessária
ao próprio desenvolvimento natural." ("Para Onde
vai a Educação?").
Esse desenvolvimento natural de que nos fala Piaget, e que o pensamento
naturalista de Rousseau já vislumbrava em pleno século XVIII,
nada mais é que a construção do ser propiciando seu
aperfeiçoamento, em todos os sentidos, construção
essa que somente a educação moral pode propiciar, por ser
ela a educação integral do ser, conjugando todos os valores
humanos - físicos, intelectuais, morais e espirituais - em perfeita
harmonia. E como todo esse processo deve ser regido pelo amor, a verdadeira
escola promotora da educação moral é a Escola do
Sentimento.
Concluindo
Eis a nova escola que vem sendo desenhada nas últimas décadas
e que deverá se consolidar no próximo século, dependendo
para isso dos professores, que devem compreender que não basta
recolorir o velho para apresentá-lo como novo. Novos pensamentos,
novas atitudes para uma escola verdadeira e uma vida feliz.
É um sonho? Sim, sem dúvida, um sonho que deve ser sonhado,
pois somente quando sonhamos chegamos à concretização
do ideal.
Os direitos autorais
pertencem ao IBEM, que autoriza a reprodução desde que citada
a fonte.
|

Eventos Duque de Caxias

Assessoria




Análise&Crítica
Blog
|