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Aprendendo Educar Teoria e Prática Educacional Marcus De Mario A literatura sobre
educação é bastante farta, deixando-nos em posição
cômoda para estudar e praticar. Não faltam livros sobre sociologia
da educação, filosofia da educação, currículo,
psicologia da educação, teorias do desenvolvimento da aprendizagem
e assim por diante. Qualquer estudante pode deleitar-se à vontade
numa biblioteca ou numa livraria, repletas em títulos sobre educação.
As universidades produzem teses e trabalhos os mais diversos no campo
da educação, portanto, não é por falta de
material apropriado que o ensino nas escolas não anda a contento.
Na verdade, temos constatado em experiências diversas junto aos
professores, a existência de um comodismo geral quanto a continuar
os estudos após a recepção do diploma de formação.
E nos cursos de formação temos notado muito verbalismo em
detrimento da teoria. (1). Professores e estudantes
confundem teoria e prática com verbalismo e ativismo. A teoria,
sempre imprescindível em qualquer ramo do conhecimento humano,
significa o estudo, a apreciação, enfim, o próprio
conhecimento da ciência ou disciplina à qual nos dedicamos.
A prática corresponde às experiências acumuladas de
aplicação da teoria. Já o verbalismo é aquele
palavrório inútil, carregado de academicismos, quando muito
se fala mas pouco se diz. O ativismo é a ação imediata
movida pela curiosidade, pela impetuosidade. A teoria não se confunde
com o verbalismo, assim como a prática não significa ativismo.
Se a cada aula o estudante quiser colocar o conhecimento adquirido em
prática, estará fazendo ativismo, um laboratório
de experiências aleatórias, e não prática,
ou seja, a aplicação metódica e racional da teoria.
O mesmo podemos entender sobre o estudo da teoria e o verbalismo, quando
o professor insiste em muito palavrório, em muita informação
vazia, sem objetividade, sem critério. É comum a separação
entre teoria e prática, quando na verdade são indissociáveis,
são complemento um do outro. Os cursos que priorizam a teoria durante
vários períodos de estudo colocando a prática apenas
na forma de estágio ao final, cometem um grande erro, pois privam
os estudantes de construírem as experiências, de fazerem
uso da criatividade e de, a partir do conhecimento, desenvolverem uma
consciência crítica. A questão da
teoria e prática versus verbalismo e ativismo nos leva a outra
questão, esta fundamental, que é definirmos a educação.
Essa definição é mesmo prioritária, pois trata-se
de entendermos a educação, o que ela é, a que se
destina, o que queremos com ela. Para responder satisfatoriamente perguntas
como: o que estou fazendo na escola?; para quê educar?; é
necessário a compreensão sobre o sentido e o significado
da educação. Já o dissemos: "ninguém
pode educar se não souber o que é a educação"
(2). Para nós, a
educação é o conjunto de estudos e experiências
que propiciam ao educando o desenvolvimento de suas potencialidades de
forma equilibrada, tendo por finalidades sua formação integral
e a construção do homem moral. Fica implícito
nessa definição o finalismo superior da educação:
o homem moral. E também o caminho para esse fim: a formação
integral, equilibrada, que podemos, a nível do ensino, destacar
como sendo a aplicação da interdisciplinaridade, ou seja,
o conjunto das disciplinas, dos temas de estudo em ação
cooperada, e não isolada. Também está caracterizado
na definição a aplicação da experiência
própria, do trabalho por parte do educando, assim como o reconhecimento
de que ele é o agente de si mesmo, por ser portador de suas próprias
potencialidades. Estamos falando da educação integral, aquela
que conjuga de forma dinâmica os agentes sociais, o eu indivíduo
e a vida num processo interativo. É, sem dúvida, um processo
educativo elaborado, mas o único que assegura o cumprimento de
seu finalismo superior. As ações
equilibradas da natureza, do meio social, dos estados afetivos, dapersonalidade
individual, etc., formam o processo da educação. Essa é
uma visão integral, que leva em consideração as trocas
e influências entre a família, a escola, os meios de comunicação,
o trabalho, o lazer e assim por diante. Isso importa em estabelecer que
vida é educação, e tão rica é a vida
que todo artificialismo é dispensável. Muitos educadores - professores, assistentes sociais, psicólogos, pais, etc. - se desestimulam frente a atividades de estudo, pesquisa e elaboração prática em grupo, denunciando sua falta de visão do homem e do mundo, não conseguindo funcionar satisfatoriamente no âmbito das relações. Esses educadores são sistemas fechados, responsáveis pelo verbalismo inconseqüente e pela constante troca de atividade na busca de soluções. Estão sempre
à procura de receitas prontas sem perceberem a dinâmica e
profundidade da vida. Em nossa definição,
dizemos que a educação deve levar o indivíduo a ser
um homem moral, e isso acontecerá quando priorizarmos a formação
no lugar da instrução. Quando colocarmos a teoria e a prática
a serviço da formação integral do ser. Preconizamos através destas palavras a reformulação dos cursos de formação de educadores. Também defendemos a recapacitação dos educadores em atividade, pois toda teoria será derrotada se os responsáveis por sua aplicação não forem capacitados para colocá-la em prática. Enquanto os educadores
estiverem arraigados ao ensino compartimentado, disseminado em disciplinas
e matérias estanques, sem visão de totalidade, sem compreensão
da interatividade das partes que compõem o todo, esse ensino não
conseguirá promover, de forma equilibrada, as potencialidades do
educando. Ainda mais grave é
constatarmos que, enquanto os educadores não se conscientizarem
que a educação possui o finalismo superior de formar o ser,
e não apenas de instruí-lo, essa educação
que é promovida desde há muito tempo jamais conseguirá
estabelecer condutas éticas e relações de ordem moral.
Para estabelecê-las será necessário resgatar os valores
humanos que encontram-se marginalizados, substituídos pela instrução.
É necessário conjugar, com o mesmo peso, os valores humanos
com a instrução, ou em outras palavras, equilibrar no processo
de educação a formação do caráter com
a formação intelectual. Ao mesmo tempo em que desenvolvemos
capacidades motoras e da inteligência, sensibilizarmos o sentimento
e adquirirmos virtudes. Realmente, temos de concluir que não é a falta de conhecimento o motivo de tantos problemas no âmbito do ensino, mas, isto sim, a falta de visão integral do mesmo e a falta de conscientização sobre a vida e o finalismo superior da existência do ser humano. Quando os educadores compreenderem essa verdade, eis que surgirá plena a educação! Referências: Os direitos autorais pertencem ao IBEM, que autoriza a reprodução desde que citada a fonte. |
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