|
Aprendendo
Educar
Inteligência
Emocional e Pedagogia da Sensibilidade
A
educação dos sentimentos para formação do
homem
Marcus
De Mario
1. Inteligência
Emocional
Um novo tema está ocupando a ordem do dia nas empresas e, pouco
a pouco, nas escolas: a inteligência emocional. Não é
uma novidade. Na década de sessenta vários psicólogos
e educadores trabalharam a educação afetiva, mas agora o
conceito é diferente, está alicerçado nas descobertas
científicas sobre as funções cerebrais e os estímulos
neuronais, chegando-se à conclusão da existência de
dois coeficientes de medição do ser humano: o coeficiente
intelectual, conhecido como Q.I., e o coeficiente emocional, chamado Q.E.
O pai desse novo tema é o psicólogo e jornalista americano
Daniel Goleman ("Inteligência Emocional", Editora Objetiva).
Para melhor compreensão, vamos resumir suas idéias principais.
O homem é dotado, além da inteligência, também
de emoções, que podem ser positivas (alegria, bem estar,
etc.) e negativas (raiva, ciúme, etc.), já estando cientificamente
comprovado que as emoções afetam o comportamento biológico
do ser, além de seu comportamento moral.
Inteligente emocional é o indivíduo que sabe trabalhar suas
emoções, que sabe reconhecê-las, controlá-las
e utilizá-las com melhor proveito na vida, tornando os relacionamentos
pessoais mais ricos.
A inteligência emocional (Q.E.) mais a inteligência cognitiva
(Q.I.) promovem o ser integral.
A inteligência emocional pode ser resumida no "conhece-te a
ti mesmo", através da autoobservação, levando
à autoconsciência. Segundo Goleman, "quanto mais
consciente estivermos acerca de nossas próprias emoções,
mais facilmente poderemos entender o sentimento alheio". Isso
se chama empatia.
A empatia leva o ser a realizar o "contágio emocional",
quando transmitimos e captamos modos uns dos outros, promovendo o relacionamento
interpessoal, detectado quando descobrimos no indivíduo a capacidade
de organizar grupos, negociar soluções, realizar ligações
pessoais e fazer análises sociais.
As emoções podem ser ensinadas das seguintes maneiras:
-
trabalhando os
sentimentos, nossos e os que irrompem nos relacionamentos;
-
utilizando das
tensões e traumas da vida das crianças como tema do
dia;
-
elevando o nível
de competência social e emocional nas crianças;
-
resolvendo conflitos;
e
-
desenvolvendo
aptidões emocionais.
Goleman propõe,
com base em diversas experiências realizadas em escolas americanas,
a seguinte metodologia:
-
No pré-escolar:
lições básicas de autoconsciência, relacionamentos
e processo de decisão.
-
Da 1a à
4a séries: lições de associação
de sentimentos e ajuda na empatia.
-
Da 5a à
8a série: lições de empatia, controle de impulsos,
de amizade e sobre as tentações e pressões do
sexo, drogas ou bebidas.
-
No 2o grau: lições
enfatizando a capacidade de adotar múltiplas perspectivas -
a nossa e a dos outros envolvidos - diante das realidades sociais.
E afirma: "A
disponibilidade da criança para a aprendizagem escolar depende
demais da aquisição de algumas dessas aptidões emocionais
básicas. Os anos que antecedem a ida para a escola são cruciais
para deitar as bases das aptidões."
A partir da inteligência emocional, desenvolvemos a Pedagogia da
Sensibilidade.
2. A Pedagogia
da Sensibilidade
A palavra sensibilidade possui o significado de "faculdade de
sentir; sentimento; faculdade de experimentar sentimentos de humanidade,
ternura, simpatia".
Também possui o conceito de "compaixão; emoção;
sentimento; afetividade"
Nos dias atuais percebemos o educando insensível para consigo mesmo
e para com a vida, com graves problemas estruturais psicológicos,
carente de afeto e com imensa dificuldade de expressar seus sentimentos,
apesar de possuir facilidades para aquisição do conhecimento
cultural e desenvolvimento da sua capacidade intelectiva.
Faze-lo sentir-se enquanto ser integral que é, experimentando sentimentos
de humanidade, relacionando-se de forma equilibrada com os outros e com
o mundo, é a finalidade maior da Pedagogia da Sensibilidade.
O educando deve possuir todo o conhecimento e todas as virtudes, que nada
mais são do que "o conjunto das qualidades morais", conjunto
esse que pertence ao ser como potencialidades, e que ele desenvolve na
medida em que conhece e compreende.
O educando deve trabalhar os sentimentos para:
-
estar ligado ao
ambiente em que vive;
-
elaborar conceitos
éticos;
-
incorporá-los
ao patrimônio psíquico; e
-
realizar a aquisição
do senso moral.
Sabemos que não
basta o conhecimento, a informação cultural, se esse conhecimento
não alavancar a conquista de si mesmo, não desenvolver os
sentimentos, não desenvolver o senso moral.
E qual o melhor período da existência para trabalharmos a
educação dos sentimentos? É a infância, fase
vital de aprendizado.
Somos portadores de experiências de vida, de aquisições
culturais e éticas de repercussão profunda no psiquismo,
liberadas através das tendências de caráter, passíveis
de serem trabalhadas pela educação através da influência
dos pais, dos responsáveis, dos professores e da sociedade.
Para que essa educação dos sentimentos se realize dependemos:
-
do ambiente em
que vivemos (natural e social);
>
-
das influências
que recebemos (do meio, dos outros, da sociedade);
-
das prioridades
escolhidas (uso do livre-arbítrio); e
-
do esforço
da auto-educação (querer, saber, poder).
Que valores trabalha
a Pedagogia da Sensibilidade? Como trabalhar esses valores na escola?
Visando a educação integral do homem, os valores a serem
trabalhados são todos aqueles que fazem parte de si mesmo e da
vida.
Podemos apresentar o seguinte quadro sintético dos valores humanos:
-
Valores Físicos:
Corpo, Atividades Físicas.
-
Valores Intelectuais:
Economia, Política, Cultura, Ciências.
-
Valores Morais:
Sentimentos, Sociedade, Artes, Virtudes, Família.
-
Valores Espirituais:
Religiosidade.
Os valores morais
e espirituais, de ordem superior, devem orientar os valores físicos
e intelectuais, mas todos necessitam ser trabalhados em conjunto, pois
fazem parte de um mesmo sistema, que é a educação.
A visão da Pedagogia da Sensibilidade é a mesma de Pestalozzi:
"A educação é o desenvolvimento harmônico
das potencialidades do homem."
Os valores físicos, intelectuais, morais e espirituais formam um
sistema, abrangendo o todo humano, motivo pelo qual devem ser trabalhados
de forma integrada através das Áreas de Estudo e de todas
as demais atividades pedagógicas desenvolvidas pela Escola do Sentimento
(proposta escolar que não abordaremos neste artigo). Entretanto,
numa escala de hierarquia didática, podemos dizer que os valores
morais e espirituais se sobrepõem aos valores físicos e
intelectuais, pois deve o senso moral coordenar o uso da inteligência.
Todo o desenvolvimento humano está subordinado à formação
integral do homem.
Esse é o princípio básico e, em conseqüência,
do trabalho a ser realizado pela Escola.
Os direitos autorais
pertencem ao IBEM, que autoriza a reprodução desde que citada
a fonte.
|

Eventos Duque de Caxias

Assessoria




Análise&Crítica
Blog
|