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Aprendendo Educar

Escola - Como Educar

Marcus De Mario

O que a escola pode fazer diante da crise de valores que a sociedade está vivendo? Que ações o professor pode implementar para trabalhar a ética com seus alunos? Não desanime, é possível construir um novo cenário futuro.

Sabemos que a escola não é uma instituição milagrosa, que por si só vai resolver todos os problemas do homem e da humanidade. Compreendemos que a ação da família e da própria sociedade, interagem com a escola no processo de educar o indivíduo. Entretanto, o papel da escola é de fundamental importância nesse processo, e para que essa importância exerça sua influência positiva, a escola depende do professor.

Se o professor se valoriza, acredita no que faz, possui visão profunda e de futuro, e se olha o aluno como um ser total, a escola tem tudo para dar certo e realizar a formação integral, ou seja, intelectual e moral, de todos aqueles que ocupam os bancos escolares.

Infelizmente existem muitos professores que fingem dar aula e muitos alunos que fingem aprender. Não existe compromisso, ou melhor dizendo, comprometimento com a educação. O professor apenas se desincumbe da tarefa de dar aula, apenas cumpre com o compromisso profissional de comparecer na escola, maquinalmente, sem outra preocupação a não ser trabalhar conteúdos da sua matéria curricular. Diante desse quadro os alunos se desestimulam, não fazem esforços para o aprendizado, até porque não são motivados para isso, e as aulas tor-nam-se "chatas", aborrecidas, enfadonhas.

Para educar o professor precisa amar o que faz, dei-xar seu coração pulsar de alegria com cada aula, com cada dia escolar, preocupar-se com o aluno enquanto pessoa, enquanto ser humano.

Mas existem também professores que não se preocu-pam se os alunos estão conseguindo assimilar o conteúdo. Entram em sala de aula, despejam conteúdo, exercícios, testes, provas, seguindo planejamento nada flexível, aborrecem-se com as dúvidas dos alunos, baseiam todo o ensino em apostilas previamente preparadas ou num livro didático, e ainda não admitem receber reclamações das mães, da coordenação pedagógica ou da direção da escola.

São professores burocratas, mais preocupados com o salário no fim do mês, que apenas realizam, e de forma precária, suas obrigações, não se permitindo integração com a verdadeira finalidade da escola.

Trabalhar a assimilação daquilo que é trabalhado em sala de aula deve ser prioridade do professor que quer ver seus alunos mudarem posturas, estando aptos para serem construtores de novos paradigmas na sociedade, por isso que os conteúdos devem ser dinâmicos, ligados à vida, com ampla interação dos alunos com o professor através de debates, pesquisas, exposições, jogos, pois o ato de pensar e elaborar novos pensamentos é um ato criador que depende dos estímulos que recebe.

Outra questão que dificulta a educação total, numa visão holística do ser, é a queixa de um significativo uni-verso de professores que os alunos são malcriados e desinteressados. Essa generalização é muito perigosa, porque nenhuma criança é igual a outra, e os problemas no ensino não se encerram apenas nessa questão. Pesquisas demonstram que as crianças se espelham no professor, assim a malcriação e o desinteresse não são exclusividade da personalidade infantil ou adolescente, pois as encontramos no adulto, seja ele pai, mãe ou professor.

O professor organizado e disciplinado, e ao mesmo tempo flexível e amigo, é o professor que todos os alunos gostam. Procurar dar bons exemplos é educar para a responsabilidade e para a cooperação.

Se o professor não respeita a si mesmo, dificilmente o aluno o respeitará, não dando importância aos seus esforços na preparação das aulas.

A escola precisa tomar posição firme em relação à formação moral e a transmissão de valores, capacitando os professores para saber lidar, da melhor maneira possível, consigo mesmo e com os alunos. Sempre que o professor e a escola deixam de tomar atitudes necessárias para mostrar a existência de limites, a desordem estará com a porta aberta para se instalar.

O professor precisa saber intervir num conflito para encaminhar uma solução que seja a melhor para todos os envolvidos. Fácil é tirar o aluno da sala de aula, en-caminhá-lo para a coordenação ou deixá-lo à margem das atividades. Mas nenhuma dessas atitudes é pedagogicamente correta, não podem ser classificadas como solução, como atitudes que atingem as causas do pro-blema.

É a escola que precisa abrir espaço para a capacitação contínua do professor, fazendo dele um verdadeiro educador, iniciando por educar a si mesmo, seus sentimentos, seus valores, sua visão de vida e da educação.

Temos inúmeros bons exemplos entre as escolas públicas e particulares de como a educação pode ser plena, e em todas elas encontramos a preocupação em trabalhar os valores morais, em realizar a cidadania, em valorizar a conduta ética, tanto dos professores quanto dos alunos.

No Projeto Educação Moral para Formação do Ho-mem, desenvolvido pelo IBEM, contemplamos a realização da Escola do Sentimento, como um modelo que une o amor pedagógico com o exemplo e a auto-educação. Em que os valores morais solidificam todos os procedi-mentos e instalam novos princípios de conduta para os professores. E toda escola pode ser uma Escola do Sentimento, pois a transformação é um processo de mudança que depende muito da força de vontade.

Essa força de vontade que nem todo professor quer acionar, preferindo ficar no lugar comum do antigo mestre-escola, o transmissor de conhecimento, que hoje se transmuda no professor que só sabe preparar seus alunos para as provas, para o vestibular.

Força de vontade que nem sempre está presente na direção da escola, preferindo aplicar um ensino vistoso mas inútil, repleto de coisas bonitas mas exteriores ao aluno, existindo apenas para bem impressionar os pais.

Se queremos verdadeiramente educar precisamos mudar a escola e transformar o professor, colocando os valores morais na base de todo o trabalho.


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