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O Aluno Indisciplinado Deve Ser Colocado
para Fora da Classe?

Marcus De Mario

Com essa pergunta a revista Nova Escola de novembro último realizou pesquisa com professores para saber a opinião deles sobre o assunto, e colheu, resumidamente, as seguintes opiniões:
"O professor nunca deve tomar uma medida punitiva como essa".
"Eu adoro os alunos mais "danadinhos". Eles são um desafio! Nunca devemos excluí-los, mas recorrer a estratégias que os levem a uma mudança de comportamen-to".
"Mesmo sendo difícil retomar a aula depois de expulsar um aluno da sala, essa é uma medida correta".
"Hoje não existe mais espaço para essa postura".
"O professor pode e deve colocar o aluno para fora".
"Se um elemento do grupo atrapalha a organização de uma atividade ou prejudica a ação coletiva, parece razoável retirá-lo da sala".

Como podemos perceber as opiniões estão divididas.

O primeiro raciocínio que devemos estabelecer é que a escola é uma instituição social eminentemente educadora, existe para realizar a educação formal do homem. Assim, não parece razoável que ela expulse os alunos indisciplinados da sala de aula, pois essa medida significa que a escola não está conseguindo cumprir seu papel educacional.

Um segundo raciocínio a ser feito é que o professor, responsável direto pela educação dos alunos, que expulsa um aluno da sala de aula, está apenas transferindo o problema para seus colegas, para a família e para a so-ciedade, quando é da sua competência saber lidar com situações de conflito.

Entre as opiniões colhidas e publicadas, destaquemos alguns conselhos úteis dados pelos entrevistados:
"A solução para o problema é formar uma espécie de conselho tutelar, com a participação de professores, estudantes, coordenação pedagógica e até de pais, para estabelecer acordos".
"Quando eles estão muito agitados, sempre coloco uma música calma para tocar. É tiro e que-da".
"A sala de aula é o ambiente de maior socializa-ção que o aluno pode encontrar".

Afinal, quem está com a razão? Devemos ou não expulsar um aluno da sala de aula? As sugestões dadas pelos professores são válidas, ou melhor, podem ser aplicadas na prática e com bons resultados?

Desde a criação do Projeto Educação Moral para Formação do Homem e a elaboração da Pedagogia da Sensibilidade, que deixamos bem claro nosso repúdio à ex-pulsão de alunos da sala de aula e da escola, defendendo a prática pedagógica da resolução de conflitos, da interação professor-aluno, do convívio família-escola, tornando-se a escola um segundo lar para o estudante.

Não é tão difícil quanto parece resolver conflitos com alunos indisciplinados. O professor que não consegue resolver situações de conflito precisa rever sua postura, necessita refletir sobre sua conduta enquanto educador, responsável pela formação dos seus alunos. Isso não quer dizer que o professor deva ser totalmente auto-suficiente, senhor de si, dos outros e de tudo à sua volta, mas que deve procurar desenvolver maturidade psicoló-gica e emocional para saber lidar com equilíbrio com os alunos que não estão a fim de colaborar.

A ação do coordenador pedagógico, do psicólogo e do inspetor de alunos, são muito importantes, mas devem estar em sintonia com a ação do professor, que deve procurar o apoio dos mesmos nos casos mais graves.

Resolvendo conflitos
Conflitos acontecem, sejam no campo das idéias ou das ações, porque não somos iguais. Somos diferentes e temos liberdade de agir, mas precisamos saber conviver com as diferenças e respeitar as regras do convívio.

Se reclamo para mim este ou aquele direito, devo lembrar que o outro também possui este ou aquele direito.

Se exijo por parte do outro o cumprimento deste ou daquele dever, devo lembrar que ele também pode exigir de mim o cumprimento deste ou daquele dever.

Se luto por minha liberdade de ir e vir, de fazer ou não fazer, igualmente devo lembrar que o outro também realiza a mesma luta, assim devo, antes, cumprir com mi-nhas responsabilidades. Portanto, temos:
" Para cada direito corresponde um dever.
" Para cada liberdade corresponde uma respon-sabilidade.

Técnicas de Sensibilização
Na Pedagogia da Sensibilidade desenvolvemos algumas atividades para resolução de conflitos em sala de aula e na escola. Ao apresentarmos essas atividades não as estamos dando como absolutas, deve o professor inserir sua cria-tividade, além de realizar as devidas adaptações face à realidade dos seus alunos.

Convidamos o leitor a conhecê-las no site www.educacaomoral.org.

Com a aplicação dessas e outras técnicas e atividades, aliadas à mudança de postura do professor em sala de aula, deixando de ser um catedrático para ser um amigo, o aluno indisciplinado, pouco a pouco, deixará de ser difícil, problemático, passando a colaborar e interagir no processo de educação.


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