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Aprendendo Educar

Educação do Senso Moral

Marcus De Mario

O que é moral?
Filósofos - materialistas e espiritualistas - já procuraram a melhor definição e o estudo de suas conseqüências, nem sempre logrando êxito satisfatório, mas é imprescindível que estabeleçamos uma definição de moral, de formação do caráter através da educação, e isso vamos fazer tendo em mente nossa concepção do homem como um ser integral existindo numa coletividade.

Moral é a regra da boa conduta, da distinção que fazemos entre o que é bom e o que é ruim, para nós e para os outros, utilizando um ensino milenar daquele que se considerava Mestre: façamos aos outros so-mente o que queremos eles nos façam.

Essa definição e esse ensino são universais, independem de credo religioso ou formação cultural, da posição social ou política em que se encontre o homem.

Assim estabelecida, a moral nada tem de religioso no sentido de obedecer aos dogmas desta ou daquela corrente de pensamento doutrinário. Estamos no terreno da moral como valor da alma, onde todos se entendem quando a questão é de analisar os valores éticos do comportamento, estabelecida a regra que damos acima.

Um homem moralizado vale mais que uma multidão de intelectuais.

É fato encontrarmos homens de elevada cultura mer-gulhados em vícios morais. Já quem se eleva na formação moral sabe utilizar a cultura com proveito.

O homem tecnológico se prende ao exterior da vida, no valor da cultura, do diploma, na satisfação de tudo o que se prende ao corpo.

O homem moral se preocupa com o interior para melhor equacionar o exterior. A cultura tem o valor que me-rece, mas a conquista de virtudes é primordial. Ele valoriza a alma antes que o corpo e percebe este corpo como parte de si mesmo, que também deve ser cuidado enquanto instrumento de crescimento para a alma.

A educação atual está voltada para a formação do homem tecnológico.

A educação verdadeira volta-se para a formação do homem moral.

O bem e o mal
A educação moral irá trabalhar com duas realidades essenciais: o bem e o mal, o que é bom e o que é ruim na formação do caráter. Este nosso enunciado pode levar muitos teóricos da educação julgarem ser necessário estabelecer o que deve ser ensinado e o que não deve ser ensinado, mas não é isso o que estamos pro-pondo, mesmo porque tudo deve ser ensinado, ou me-lhor, tudo deve ser facultado ao educando conhecer, ao mesmo tempo em que, exercitando suas potencialidades morais e intelectuais, sob a orientação do educador, vai separando o joio do trigo, entendendo o que lhe faz bem ao caráter e faz bem para o próximo na sua conduta social.

O educando é livre para estudar, para aprender, para conhecer, competindo ao processo da educação coorde-nar o ensino, levando o educando a conquistar plena consciência de si mesmo, com liberdade. Liberdade que é acompanhada de responsabilidade, pois a regra áurea da moral é fazer ao próximo o que se queira também que ele nos faça.

O bem é sempre o bem, em toda parte e em qualquer circunstância. Ele é bom para nós e para os outros e traz sempre a felicidade. A ausência do bem é que caracteriza o mal.
" O bem está sempre ligado às virtudes.
" O mal está sempre ligado aos vícios.

Em todo trabalho escolar deve o educador estimular o educando a discutir a importância do que está aprenden-do para a formação do seu caráter, pois assim o educando estabelecerá, ele próprio, o que mais lhe convém, sempre tendo em vista que seu viver não é isolado, egoísta, mas coletivo e, portanto, o seu caráter em formação é que dirá dele perante os outros.

Não deve o educador ser passivo, mas dinâmico e sempre aberto aos questionamentos individuais de seus educandos, sabendo colocar em discussão os valores representados pelos atos tanto na sala de aula como fora dela. É dessa proveitosa discussão e reflexão que o educando compreenderá o que é o bem e o mal.

A formação do caráter é prioridade na educação moral. Um bom caráter se destingue:
" pela honestidade;
" pela humildade;
" pelo espírito de fraternidade;
" pelo respeito aos direitos alheios;
" pelo cumprimento dos seus deveres de cidada-nia;
" por estabelecer a justiça;
" por promover o progresso mais harmônico da sociedade.

Esse é o homem que recebe uma formação promovida pela educação moral, e que não vai utilizar a tecnologia, o avanço científico, o saber da cultura, para proveito apenas de si mesmo, como temos assistido.

O currículo, segundo uma filosofia espiritualizante, deve trabalhar o entendimento e o exercício da bondade, sensibilizando o educando na área do sentimento nobre, dando a ele ideais de vida elevados, pois como individualidade espiritual, corpo e alma, a vida para ele tem significado muito mais profundo.

Mais uma vez lembramos que a educação moral independe de qualquer credo religioso, e também não se confunde com aulas de civismo, pois a educação moral trabalha a conscientização do educando como ser, o autoconhecimento, no dizer de Sócrates o "conhece-te a ti mesmo", para que ele possa ter uma atuação social digna, respeitando e sendo respeitado, sabendo que todo o bem realizado promove-o para melhor situação na continuidade da vida como alma.

Pode-se fazer a objeção que o homem como ser inte-gral é mera teoria sem base concreta. Que não é uma verdade por não ser uma realidade. Não é nosso objetivo escrever um tratado sobre a espiritualidade do homem. Convencemo-nos disso pelas pesquisas sérias a respei-to, por ser em nós uma crença racional que responde às diversas indagações sobre a vida. E mesmo que tomás-semos o homem-alma como uma teoria, isso em nada invalidaria a proposta da educação moral, que pode ser aplicada mesmo num meio onde o pensamento é declaradamente materialista, pois a arte da formação do caráter é um problema da educação e somente esse caminho promoverá o progresso da humanidade, renovará a soci-edade, que então deixará de conviver com os vícios de todas as espécies e conhecerá dois estados de espírito tão sonhados: a paz e a felicidade

A educação moral promove homens de bem que tira-rão do papel a declaração dos direitos humanos, e só esse resultado já basta para concluirmos sobre sua fun-damental importância.

Os interesses individuais materialistas tem retardado a moral dentro da educação, bloqueando as tentativas a respeito, mas não podem segurar indefinidamente o que é melhor para a humanidade. O egoísmo e o orgulho da inteligência exacerbada irão cair mais cedo ou mais tar-de, e o sofrimento que a tanto tempo vem agindo através da dor, levará o homem a reconhecer que somente a educação moral pode livrá-lo do flagelo do materialismo.

A partir do momento em que o bem estiver instalado na consciência do educando, ele:
" lutará contra a violência utilizando o sentimento do amor;
" derrubará a corrupção pelo uso da retidão do ca-ráter; e
" utilizará o saber para construir em benefício de todos.

Numa sociedade formada por indivíduos voltados para o bem não há lugar para o mal. Essa sociedade será fruto da educação moral.

A virtude
O desenvolvimento das potencialidades morais do homem, aqui encarado como educando, deve ter início na infância, abrangendo com bastante ênfase o período compreendido entre a faixa etária que vai do zero aos sete anos, pois nesse período é a criança acessível aos bons conselhos, mais facilmente segue os exemplos que lhe são sugeridos. É a fase em que suas tendências próprias estão latentes e influenciáveis. Nessa fase devemos combater os vícios e potencializar as virtudes, iniciando o processo da educação moral que vai se estender depois na escolaridade e na vida como um todo.

Exercícios constantes, individuais e sociais, devem estimular a compreensão das virtudes e sua incorporação pela criança, assim como o diálogo sobre os acontecimentos sociais que envolvem seu viver devem facultar a tomada de consciência sobre si mesma e a opção pelo bem. Dizemos opção porque a educação moral não pode ser imposta, ela deve ser adquirida, interiorizada, a partir das próprias potencialidades latentes, motivo pelo qual é uma educação de dentro para fora. É um processo lento que pede por parte do educador o acompanhamento individual tanto quanto possível, mas cujos resultados desabrocham mais tarde como as flores das sementes.

Não há como combater os vícios e suas conseqüências sem uma reformulação atual da educação, promovendo uma filosofia que se baseie na moral e na forma-ção do caráter para o bem. Essa nova educação desen-volverá o senso moral que ainda nos falta


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