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Aprendendo Educar

Abusos Sexuais Contra Crianças e Adolescentes

Marcus De Mario

AS ESTATÍSTICAS INDICAM significativo aumento nas denúncias sobre abusos sexuais contra crianças e ado-lescentes, envolvendo todas as classes sociais. Na maio-ria dos casos os abusadores são homens, o pai ou o padrasto, mas há casos em que o abusador é a própria mãe. O que fazer para proteger a criança e o adolescen-te?

Entendemos que o anseio sexual faz parte da condição dos indivíduos, sejam homens ou mulheres, os quais necessitam de apoio afetivo, ou seja, de orientação mo-ral para suas carências emocionais, isso devendo acontecer desde a infância para que, quando adulto, saiba utilizar a energia sexual com equilíbrio, sublimando os sentimentos e controlando os impulsos da sexualidade. Essa orientação moral e esse apoio afetivo são de res-ponsabilidade dos pais.

As inclinações morais desequilibradas requerem refor-ma do caráter, o que só pode ser realizado através da educação. Essa educação, a ser promovida prioritariamente na família, no lar, deve ter os seguintes princípios norteadores:

1. A educação promovida junto aos filhos deve ser bem fundamentada nos princípios enobrecidos das leis de Deus - aqui não estamos fazendo defesa desta ou da-quela religião, mas reconhecendo a importância da reli-giosidade.

2. Essa educação deve fazer com que cada filho, em crescendo, reflita sobre a sua condição espiritual.

3. Deve, sempre a educação, fazer com que cada cria-tura se esforce em transformar seus conflitos e torturas sexuais em sentimentos enobrecidos.

4. Os pais devem, através da educação, fazer com que cada filho descubra no outro coração, com quem partilha as lutas diárias, a pessoa tão igual quanto ela mesma, com quem vai partilhar seu crescimento potencial na vida.

A verdadeira educação do ser integral que todos so-mos é a educação moral, aquela que promove o esforço da auto-educação, colocando a força da vontade a servi-ço da própria sublimação, única maneira de controlarmos os impulsos sexuais.

Como orientação ao trabalho preventivo que deve ser realizado pelos pais na educação dos filhos, destaca-mos cinco atitudes educacionais de prevenção aos abu-sos da sexualidade contra crianças e adolescentes:

1. DIÁLOGO - Ouvir os filhos, acreditar no que estão falando, para depois investigar e tirar conclusões. O diá-logo é via de mão dupla: todos têm o direito de falar, mas todos também devem saber escutar.

2. CONVIVÊNCIA - O lar é espaço privilegiado de con-vivência de seres em comunhão afetiva para fortaleci-mento do aprimoramento moral e espiritual. Você está sabendo conviver com seus filhos?

3. ORIENTAÇÃO - Converse com seus filhos sobre o corpo, as funções dos órgãos, as diferenças entre sexua-lidade e sensualismo, as situações de risco, as regras para uma boa conduta sexual, dosando essas conversas ao nível de entendimento e curiosidade de cada um.

4. EXEMPLO - Esforce-se para ter uma conduta sexual sadia, lembrando que, para os filhos, os exemplos que mais marcam a formação de suas personalidades, são os dos próprios pais.

5. ACOMPANHAMENTO - Somos seres solidários e não solitários, assim, acompanhe o que seus filhos fa-zem na escola, nos ambientes sociais em que se situam, e não perca oportunidade, diante dos meios de comuni-cação, como a televisão e a internet por exemplo, de dialogar sobre o conteúdo veiculado e os verdadeiros valores da vida.

O psicólogo e educador Içami Tiba, ao abordar o as-sunto educação sexual, lembra duas questões importan-tes. A primeira é que "não existe idade certa, e sim o momento adequado para falar de sexo com os filhos"; e a segunda questão é que "na educação sexual, o impor-tante é responder especificamente ao que se pergunta".

E para ampliarmos os aconselhamentos aos pais em assunto tão complexo quão delicado, mas de extrema importância e que não pode ser ocultado por preconcei-tos sociais, ofertamos a transcrição de um exercício salu-tar que toda família deveria realizar, conforme idealizado pelo educador Bruno Zaminsky e publicado em seu livro "Os Pais e a Educação dos Filhos":

TERAPIA DIALOGADA FAMILIAR
Objetivos 1. Fortalecer o diálogo entre os membros da família. 2. Fazer com que haja melhor absorção dos problemas e soluções relativos à convivência.

Esclarecimentos Na aplicação da atividade estar sempre atento para não induzir nos outros as respostas às perguntas, e saber ouvir, pensar e absorver as opiniões.

Aplicação Uma vez por semana a família deve se reunir para con-versar sobre as relações de convivência no lar, sempre com a intenção de encontrar caminhos que possam me-lhorar essa convivência. O pai, ou a mãe, deve dirigir as seguintes perguntas aos filhos: Para as crianças O que você não gosta de seu pai e/ou de sua mãe? Como você gostaria que papai e/ou mamãe fosse? O que você acha que faz de errado dentro de casa? Se você fosse papai e/ou mamãe, como você agiria com os filhos? Para os adolescentes Como é a convivência dos seus colegas em família? E sua convivência familiar, como é? O que você não gosta de fazer? Como filho, onde estou errando? Como você agiria como pai ou mãe?

Observação O pai e a mãe devem ouvir com respeito, pensar sobre as respostas e manter diálogo aberto e fraterno. Todas as opiniões devem ser ouvidas.

Encerramento Propõe-se um abraço coletivo e um lanche, ou passeio, após metas terem sido estabelecidas para fortalecer a convivência familiar. Essas metas também deverão ser discutidas semanalmente.

Experimente essa técnica, ela vai trazer resultados significativos na melhoria da convivência familiar e no respeito ao outro.


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