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Aprendendo Educar A Década da Educação Marcus De Mario É possível
classificarmos, de forma otimista, a última década do século
vinte como sendo a década da educação brasileira,
marcada pela edição da nova Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional e uma atuação mais decisiva
do Ministério da Educação, mas esse otimismo não
pode ser exagerado, pois ainda enfrentamos analfabetismo, repetência,
exclusão escolar e muita discussão teórica no lugar
da prática. Na esteira da nova
LDB vários posicionamentos e ações tiveram lugar:
a descentralização administrativa com maior autonomia para
a escola pública, o discurso em benefício da formação
da cidadania, a edição dos Parâmetros Curriculares
Nacionais sancionando os temas transversais, a entrega à Câmara
Federal do Plano Nacional da Educação, o aumento real do
salário dos professores no norte e nordeste. São pontos
positivos. Do outro lado dessa moeda tivemos alguns pontos negativos:
a utilização questionável de provas para avaliar
o ensino fundamental e médio e as universidades, a exagerada preocupação
com as estatísticas gerando o absurdo da aprovação
sem qualidade, a não prioridade do MEC para a capacitação
e recapacitação dos professores. Como sempre, muito
ainda há de ser feito para democratizar o ensino brasileiro sem
perda de qualidade, e talvez um dos grandes sonhos do professorado esteja
longe de acontecer: a redução do número de alunos
em sala de aula, pois na ânsia de dar acesso a todas as crianças
e jovens, muitas secretarias de educação abusam do expediente
de criar vagas ampliando o número de alunos por turma, chegando
a 65 ou mais alunos numa sala de aula. Dirão, politicamente, que
isso não é verdade, quando muito uma exceção,
mas é fato real, assistido por quem está constantemente
em contato com a escola pública. Mas, somos otimistas,
acreditamos nos diversos esforços em andamento para a melhoria
da qualidade profunda do ensino público brasileiro e, também,
do particular, que um dia entenderá que escola não é
sinônimo de empresa comercial, como muitos já entenderam Contudo, é
necessário mudar a filosofia que rege a educação
nacional, dando prioridade para a formação da cidadania
através do desenvolvimento do senso moral do educando, num processo
pedagógico que leve em conta parâmetros éticos, único
caminho para renovação da sociedade brasileira e tirar das
manchetes jornalísticas a violência, a criminalidade, a miséria,
a corrupção, a poluição desenfreada, o desmatamento,
o abandono infantil e tantas outras mazelas que mancham os esforços
até agora realizados pró-educação. Educar é, deve ser e será sempre prioridade para qualquer administrador público, embora a maioria não tenha ainda entendido que no lugar de obras e mais obras, melhor é educação e mais educação, pois a formação moral do cidadão é mais duradoura que qualquer concreto. Os direitos autorais pertencem ao IBEM, que autoriza a reprodução desde que citada a fonte. |
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